Recorte racial mostra situação mais desfavorável para as negras


Simoni Saris - Grupo Folha
Simoni Saris - Grupo Folha

Pela primeira vez desde que a pesquisa Panorama Mulher começou a ser feita, o resultado trouxe um recorte racial que revelou um quadro ainda mais triste. Quando é observada a questão da raça, 95% das empresas ouvidas que têm o cargo de presidente mantêm neste posto homens ou mulheres brancas. Entre as presididas por pessoas brancas, 87% são homens.   


Quando o estudo entra na intersecção das mulheres, o estudo apresenta um resultado curioso. Quando os homens ocupam a presidência, há 2,7% de mulheres negras em cargos de vice-presidência, 3,5% de mulheres negras na diretoria e menos de 1% de negras em conselhos. São números muito baixos, mas que se mostram ainda mais reduzidos quando a presidência é exercida por mulheres. Nesse caso, foram 0% de mulheres negras na vice-presidência, 1% de mulheres negras na diretoria e 0% em conselhos. “Isso é uma questão de amostragem, mas vemos que é praticamente nula a existência de mulheres negras na liderança quando uma mulher está na presidência, independente da presidente ser branca ou negra”, avaliou a gerente de Comunicação, Marketing e Inteligência de Mercado da Talenses, Carla Fava.




“A questão racial, independentemente do gênero, é urgente e latente no Brasil. Primeiro a gente precisa falar de raça e quando você entra na intersecção da mulher negra, a realidade é muito pior. Tem muito ainda por se fazer na questão racial. Não consigo calcular nem quantos anos a gente vai demorar para ter essa equidade de gênero e de raça”, concluiu Fava.


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