Recordes no pagamento de bônus das empresas
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sábado, 22 de março de 2008
Márcia De Chiara<br> Agência Estado 
São Paulo - Uma bolada de dinheiro entra na conta bancária dos trabalhadores da iniciativa privada neste trimestre. Do faxineiro ao presidente, eles embolsam bônus recordes pagos em razão do espetacular desempenho das empresas alcançado no ano passado. Os recursos superam de longe o 13º, que é apenas mais um salário. Há companhias que vão pagar em média neste ano o equivalente a mais de seis salários a cada trabalhador a título de bonificação.
Só os bancários de todo o País acabam de receber a segunda parcela de um total R$ 3,593 bilhões, nas contas do presidente do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Luiz Claudio Marcolino. A cifra corresponde a 10,5% do lucro das 11 maiores instituições financeiras auferido em 2007.
É a maior Participação nos Lucros ou Resultados (PLR ) obtida pelos trabalhadores da categoria. Segundo Marcolino, três fatores levaram a esse desempenho: o lucro extraordinário dos bancos, os ganhos reais de salário e o aumento do número de postos de trabalho.
O quadro não é diferente para os metalúrgicos da região do ABC paulista, onde está concentrada a indústria automobilística. Eles obtiveram neste ano perto R$ 300 milhões extras com a PLR. A cifra é 20% maior que a distribuída em 2006, graças ao excelente desempenho do setor, que atingiu níveis recordes de produção.
''A participação nos resultados foi muito boa em 2007 e a tendência é de que seja ainda melhor em 2008'', prevê o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, José Lopez Feijóo. Ele calcula que a fatia dos metalúrgicos do ABC nos resultados das companhias some R$ 350 milhões este ano.
A Scania, fabricante de caminhões, pagou R$ 8.517 a cada um dos 2.650 trabalhadores. ''Foi a melhor PLR da categoria'', diz Daniel Calazans, membro da comissão de fábrica da empresa. Nas suas contas, esse bônus equivale a três salários em média. No ano anterior, a bonificação correspondeu a 2,5 salários. ''A cada ano a conjuntura está mais favorável.''
Na concorrente Mercedes Benz, cada trabalhador recebeu R$ 7,2 mil , 20% mais que no ano anterior. Cada trabalhador embolsou, em média 3,5 salários, a melhor PLR desde 1995. ''Para 2008, a participação nos resultados poderá passar de R$ 8 mil'', calcula Moisés Selerges, diretor do sindicato e membro da comissão de fábrica.
Não são apenas os bancos e as montadoras que distribuíram resultados polpudos. A incorporadora Agra, do setor imobiliário, está a todo vapor. Ela vai partilhar R$ 5 milhões entre os 118 funcionários. Na média, cada trabalhador vai receber até o fim deste mês 6,2 salários. No ano anterior a participação nos resultados somou cerca de R$ 1 milhão, o que correspondeu, em média, a dois salários para cada funcionário.
''Ainda não estamos contentes. Temos metas mais ambiciosas na distribuição de resultados para este ano'', afirma o presidente da empresa, Luiz Roberto Horst. Em 2007, a companhia ampliou em 202% o Valor Geral de Vendas (VGV) dos imóveis lançados, que foi de R$ 1,4 bilhão. A meta é atingir R$ 2 bilhões este ano.
Horst diz que os números são crescentes porque o mercado está favorável. Mas destaca que a empresa conseguiu aproveitar a oportunidade por causa do capital humano. ''Fomos bem, porque as pessoas que trabalham para nós estão bem.''
Valores recordes de Participação nos Lucros ou Resultados (PLR) foram atingidos nas empresas prestadoras de serviços e em outros ramos da indústria que nada têm a ver com o setor automobilístico, hoje o carro-chefe da produção industrial.
A Ticket, empresa que atua no setor de serviços do grupo francês Accor, por exemplo, superou em 2007 as metas traçadas. ''O ano passado foi superbom'', afirma a diretora de Recursos Humanos da companhia, Eliane Aere. Ela conta que todos os funcionários, do estagiário ao presidente da companhia, recebem bônus. O valor distribuído neste ano foi 6% maior em relação ao do ano passado.
A brasileira Weg, que tem o faturamento baseado na fabricação de motores elétricos industriais, pagou a segunda parcela de um total de R$ 85 milhões a 20 mil trabalhadores no início deste mês. Foi o maior valor nominal recebido pelos empregados desde 1992, quando a empresa iniciou o programa de PLR. Segundo o diretor de Relações com Investidores, Alidor Lueders, cada funcionário recebeu, em média, 3,4 salários. ''Melhoramos muito a produtividade como engajamento dos funcionários nos resultados da empresa.''
A diretora de Recursos Humanos do laboratório farmacêutico Zambon, Marta Misina, faz coro com o diretor da Weg. ''A metas de desempenho da companhia atreladas à gratificação dos funcionários fazem milagres. É uma grande sacada.'' Neste ano, a empresa vai pagar bônus equivalentes a um salário aos 200 empregados, referente ao desempenho de 2007. No ano anterior, o desembolso correspondeu a 90% da folha de pagamento da companhia.


