Recorde sem brilho
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 15 de julho de 2016
Magaléa Mazziotti<br>Reportagem Local 

Os novos números da movimentação de cargas no Porto de Paranaguá, divulgados ontem pelo Governo Estadual, mostraram que pela quinta vez consecutiva, desde 2010, o volume totalizado bateu recorde ao atingir 24,1 milhões de toneladas durante os primeiros seis meses de 2016. Mesmo reconhecidamente mais produtivo em função de ações como a substituição de correias de coberturas, dragagem efetiva, agendamento das cargas trazidas pelos caminhões (Carga Online) ou levadas pelos navios (Line up 18) , o novo recorde nem de longe representa o nível de exportações e importações que o Porto de Paranaguá registraria caso fosse implementado todo o conjunto de ações engavetadas pelos governos estadual e federal, e aguardadas há anos pelos exportadores dos mais diversos segmentos produtivos do Paraná.
O assessor da Gerência Técnica e Econômica da Organização das Cooperativas do Estado do Paraná (GeTec/Ocepar), Gilson Martins, elogia as mudanças nos últimos anos, mas chama atenção para algumas questões prioritárias que permanecem em compasso de espera. "Várias medidas ajudaram o porto a melhorar, incluindo a formação do CAP (Conselho de Autoridade Portuária de Paranaguá) com representantes da Fiep (Federação das Indústrias do Estado do Paraná) e Faep (Federação da Agricultura do Estado do Paraná), entre outros. Mas existem desafios substanciais como abrir os editais de licitação do PDZPO (Plano de Desenvolvimento e Zoneamento do Porto de Paranaguá) e das áreas prioritárias para novos arrendamentos. Também é urgente a construção dos dois piers, que projetariam o cais com uma extensão em formato de F e outra em T, permitindo que mais oito navios fossem carregados simultaneamente", explica. Outra situação que deveria ser tratada como prioridade são as pendências em torno dos contratos de arrendamentos existentes.
A assessoria de imprensa da Secretaria de Infraestrutura e Logística do Paraná esclareceu que os projetos envolvendo o zoneamento portuário, bem como os dois piers, estão no aguardo da autorização do governo federal, uma vez que a autonomia de passar para a fase de contratação ficou restringida com o advento do novo marco regulatório do setor portuário. Pelos cálculos da secretaria, as ações de modernização com foco em aumento de produtividade do Porto de Paranaguá devem totalizar um aporte financeiro da ordem de R$ 934,9 milhões até 2018.
Vice-liderança
No ranking dos portos brasileiros, Paranaguá ocupa a vice-liderança na movimentação de cargas no primeiro semestre de 2016, ficando atrás do Porto de Santos. De acordo com o histórico da Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (APPA), os 24,1 milhões de toneladas representam 35,42% a mais do que o volume movimentado em 2010, quando o porto registrou 17,8 milhões de toneladas no semestre. De lá para cá, foram superadas cinco marcas no mesmo período. Em 2011, 19 milhões de toneladas; 2012, chegou a R$ 21 milhões de toneladas; 2013, teve 22 milhões de toneladas; 2014, 22,4 milhões de toneladas e, no primeiro semestre de 2015, o penúltimo recorde foi de 23 milhões de toneladas que passaram por Paranaguá.
O incremento de 77% na exportação de milho, 21% de soja e de 135% de veículos, na comparação com o primeiro semestre de 2015, e a importação de 48% a mais de graneis líquidos, contribuíram para o Porto de Paranaguá atingir o quinto recorde consecutivo no volume de cargas movimentadas. "Mas a gestão do porto tem que ter em mente que cooperativas, produtores e empresários de outros setores não estão brincando. Na hora oportuna de escoar a produção, ganha a carga o porto que garantir agilidade no processo", aponta Martins.


