Recorde nas exportações de frangos
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quinta-feira, 13 de fevereiro de 1997
Elvira Fantin Sucursal de Curitiba 
IntegradosParaná tem 6 mil avicultores integrados a 17 abatedouros que usam tecnologia avançada O Paraná registrou recorde de abate e exportação de frango em 96. Mesmo sem os números fechados, o Departamento de Economia Rural da Secretaria da Agricultura (Deral) aponta um crescimento de 15,6% no abate de frangos de janeiro a novembro de 96 em relação ao mesmo período de 95, e de 43% na exportação de janeiro a setembro comparado a igual período de 95.
Apesar de o balanço do ano ainda não estar fechado, o recorde é certo tanto no abate quanto na exportação, informa Naná Momoi Presotto, médica veterinária do Deral. O aumento no abate tem sido uma constante nos últimos anos e a previsão da Associação dos Abatedouros Avícolas do Paraná (Avipar) é que em dois anos o Paraná supere Santa Catarina, que hoje é líder no abate de aves no Brasil.
De acordo com dados do Deral, os 6 mil avicultores paranaenses integrados a 17 empresas que têm unidades de abate no Estado produziram, de janeiro a novembro do ano passado, 378 milhões de cabeças de frangos. Em 95, durante todo o ano, o abate foi de 327 milhões de cabeças. A exportação apenas nos nove primeiros meses de 96 chegou a 141.570 toneladas, 43% a mais que as 99 mil toneladas exportadas durante todo o ano de 95.
O aumento da oferta é um dos motivos para o baixo preço praticado hoje no mercado, segundo a técnica. O produtor está recebendo R$ 0,67 pelo quilo vivo. A queda no consumo, que tradicionalmente acontece nos primeiros meses do ano, é outro motivo para a redução do preço, explica Naná Presotto. Segundo ela, em dezembro, quando o consumo é aquecido pelas festas de final de ano, o quilo vivo era cotado a R$ 0,74.
De acordo com dados do Deral, hoje para o consumidor o preço fica em torno de R$ 1,00 o quilo. Nas grandes redes de supermercados, que investem em promoções, o consumidor encontra o produto até a preços inferiores. O baixo preço do farelo de milho, principal componente da ração avícola, também contribuiu para a manutenção dos preços baixos, acrescenta a técnica.
Investimentos - O recorde no abate e na exportação é reflexo dos investimentos que estão sendo feitos nos últimos ano no setor. O consultor econômico da Avipar, Gustavo Fanaya, lembra que há dois anos o Paraná abatia 27 milhões de cabeças por mês e há cinco anos o abate mensal não passava de 15 milhões de cabeças. Hoje, o Paraná abate 35 milhões de cabeça por mês, praticamente empatando com São Paulo, que é o segundo lugar no abate nacional de frangos, informa.
Fanaya acredita que em dois anos o Paraná supere Santa Catarina, que é líder do setor com um abate mensal de 40 milhões de cabeças. As empresas estão fazendo investimentos em plantas industriais no Estado, observa. Ele informa que as cooperativas são as mais agressivas nesta área e cita o exemplo da Cootrefal, de Medianeira, e da Coopervale, de Palotina.
As duas estão investindo em grandes unidades de abate de aves com capacidade para abater 2 milhões de cabeças por mês. Além disso, a Cooperativa Batavo, que já atua no setor, tem planos de expansão da atividade. Pelo lado da iniciativa privada, a Sadia deve também investir na ampliação da unidade de abate, instalada em Toledo.
Outro investimento significativo é o da empresa DaGranja, que constrói em União da Vitória um abatedouro de frangos e suínos. Estão sendo aplicados no projeto R$ 106,7 milhões e a capacidade de abate será de 9,6 milhões de aves e 30 mil suínos por mês, com a geração de 1,2 mil empregos diretos, 6 mil indiretos e 1,8 mil integrados no setor rural.
As empresas estão investindo porque apostam num crescimento ainda maior do consumo interno e na expansão das exportações, observa Fanaya. Segundo ele, apesar do grande aumento nas vendas que houve depois do Plano Real, ainda há uma demanda reprimida que deverá se traduzir em maior elevação do consumo a partir do aumento da renda da população.
Além disso, externamente o Brasil já superou a França na exportação de carne de frango, com 550 mil toneladas vendidas por ano principalmente para o Japão, Hong Kong e Arábia Saudita. A França exporta 500 mil toneladas por ano. Os Estados Unidos lideram as exportações com 1,8 milhão de toneladas, que representam 40% das vendas mundiais de carne de frango, e que tem o Japão como principal comprador.


