Recorde histérico
Em outubro, o Brasil exportou US$ 4,2 bilhões e importou US$ 5,5 bilhões. Um déficit comercial de US$ 1,3 bilhão no mês. Ou de US$ 43 milhões por dia. Um recorde histórico, ou melhor: um recorde histérico. Sim, está recriada a histeria em torno da balança comercial brasileira. Agora, inimiga número 1 do Real.
Ou será que não? Quatro quintos e alguns quebrados da importação total são representados por matérias-primas, bens intermediários, componentes, máquinas e equipamentos. Sinal faiscante de uma economia outra vez em movimento, sem pasmaceira nem recessão. Sinal triunfante de uma economia que já dispensa as muletas da fechadura e da proteção.
Ocorre que os profetas da sinistrose com data marcada voltam a proclamar em voz pastosa: não temos outra saída para um virtual colapso cambial que não a desaceleração da atividade interna para rebaixar o nível das importações hemorrágicas. Ou rebaixar as importações, a golpes de recarga tarifária, para resfriar o radiador da economia interna.
Ou seja: as cassandras da economia mercurial estão defendendo o rebaixamento do leito do rio que transborda. Que tal levantar o nível da ponte? Exportar cada vez mais é o que importa. Mas até para exportar mais, ali na frente, é preciso importar bens de capital que estão levando as empresas brasileiras a realizar produtos e serviços melhores a custos e preços menores. Em benefício não apenas dos importadores lá fora, mas de todos nós, consumidores aqui dentro.
O que não falta é amarra para cortar na cadeia das exportações. Um balaio de escorpiões tributários, alfandegários, burocráticos, financeiros, trabalhistas e operacionais. Tem cabimento uma fábrica de confecções instalada no km 12 da Via Anchieta, caminho do mar, embarcar suas vendas para os Estados Unidos pelo porto uruguaio de Montevidéu? Nem rodovia decente temos aqui pelo eixo Sul. Ainda assim, o Porto de Santos não consegue competir...
Ah! Os paladinos da exportação preferem esgotar toda a munição do lobby no peito da taxa de câmbio. Uma simples correção cambial e eis uma completa e imediata reversão na balança comercial. Correção de quanto, a partir de quando? Fontes cruzadas garantem que, desde a troca da moeda, em 1º de julho de 1994, o dólar americano estaria pesando 17% mais do que a cotação hoje engaiolada na tal de banda cambial.





