O anúncio do recorde de consumo de energia no Estado de São Paulo, divulgado ontem pelo secretário de Energia do Estado, Mauro Arce, revelou a profunda apreensão do diretor-presidente do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), Mário Santos, quanto ao momento crítico vivido pelo setor energético brasileiro. ‘‘Apesar de todos os apelos, a sociedade não está respondendo e continua consumindo muita energia. A situação é muito séria’’, disse Santos.
O Estado de São Paulo bateu novo recorde de consumo de energia elétrica em um dia, ao consumir 18.536 megawatts-hora (MWh) no horário de pico, ante 18.350 consumidos no recorde anterior, em 18 de abril do ano passado.
Mais comedido, o secretário paulista afirmou ser ainda cedo para uma resposta de consumo da sociedade, pois as campanhas de redução de consumo foram instaladas na mídia há menos de um mês. ‘‘Implementação de cotas de consumo é, na prática, racionamento e é isso que a população tem de se conscientizar. Não queremos chegar até esse ponto’’, manifestou Arce.
O secretário também se queixou das manifestações que vem ouvindo de alguns setores industriais que dizem vender parte de sua cota de consumo para terceiros. ‘‘Vender o direito de consumo não adianta nada e, se esse plano de racionalização não der certo, vamos começar o racionamento’’, criticou.
Arce informou ter iniciado ontem discussões com as secretários estaduais e com a Procuradoria-Geral para estudar a viabilidade de maior exploração da usina hidrelétrica de Ilha Solteira e da ampliação da geração da usina hidrelétrica de Henry Borden, em Cubatão, por meio da reversão das águas do Rio Pinheiros para a represa Billings.

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