Recorde da poupança revela nova postura no consumo
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domingo, 05 de agosto de 2012
Fábio Galiotto <br> Reportagem Local 
Mesmo com os estímulos ao consumo por parte do governo brasileiro, a captação líquida de cadernetas de poupança da Caixa Econômica Federal bateu recorde em julho, com R$ 3,6 bilhões. O total é 25% maior do que o recorde anterior, registrado em 2010, quando se atingiu a marca de R$ 2,91 bilhões. O cenário, segundo especialistas, é efeito do receio da população ante a crise mundial e pela tendência a economizar antes de fazer novas compras, para evitar o endividamento excessivo.
Porém, a falta de conhecimento sobre formas de investimento mais rentáveis, principalmente entre o público de renda menor, leva à caderneta de poupança. Apesar do retorno mais baixo, é o tipo de aplicação mais fácil de se entender e o mais confiável.
O gerente regional Paulo Rogerio Romero, do setor de pessoa jurídica da Caixa, afirma que os novos investidores tendem a buscar o mais simples. ''Como não há risco de ter rentabilidade negativa, não tem imposto, é tradicional e fácil de se abrir uma conta, a poupança é a opção preferida.''
Com acesso facilitado a informações pela mídia sobre a economia global, Romero diz que o consumidor está cauteloso, mas não deixa de consumir, desde que com risco menor. O consultor de finanças pessoais e empresariais Charles Vezozzo, também diretor da Pontifícia Universidade Católica (PUC) de Londrina, lembra que o poder aquisitivo aumentou entre as famílias mais populares, com a ascensão à classe média, o que também explica a captação da poupança. ''Guardar passa a ser uma possibilidade para facilitar a compra'', diz.
O índice recorde também ocorre porque o investidor em poupança não espera retorno financeiro. ''Quem tem esse hábito não pensa em dividendo, mas na segurança'', conta Romero.
Ambos afirmam que o mercado de viagens é um exemplo, mas que outros projetos de vida, como comprar um carro, também exigem certa poupança. ''Esse índice (de poupadores) não é de todo ruim'', acredita Vezozzo, que vê a economia brasileira mais sólida dessa maneira.
Números gerais
A Caixa chegou a R$ 10,360 bilhões de captação no acumulado do ano, ou 115% mais do que no mesmo período do ano passado. Foram abertas 525 mil novas contas de poupança em julho, número que fez com que a quantidade deste ano passe de 3 milhões, ou 22% superior aos primeiros sete meses de 2011.
Balanço do Banco Central confirma a tendência dos brasileiros de poupar mais. Segundo a instituição, todos os bancos registraram captação líquida positiva de R$ 6,448 bilhões até o último dia 27 de julho. Os números do mês serão fechados na próxima semana.



