Recolhimento de embalagens de agrotóxicos bate recorde
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terça-feira, 16 de dezembro de 2014
Victor Lopes<br> Reportagem Local 
O sistema de logística reversa de embalagens vazias de agrotóxicos do Brasil intitulado Campo Limpo bateu novo recorde no País e no Paraná em relação à destinação correta deste tipo de produto, tão utilizado pelos agricultores brasileiros. Mesmo sem contar com os números de dezembro, o levantamento do Instituto Nacional de Processamento de Embalagens Vazias (inpEV) computou 40.411 mil toneladas de embalagens destinadas adequadamente até novembro no País, batendo o recorde de série histórica desde 2002, de 40.404 toneladas, conquistada no ano passado.
No comparativo entre os meses de novembro deste ano e de 2013, a quantidade recolhida é 7% maior na média de todo o território nacional. No Paraná, o crescimento também foi significativo no acumulado do ano entre janeiro e novembro: de 4.751 para 5.120 toneladas, alta de 8%, perdendo em volume apenas para o Mato Grosso, que atingiu a marca de 9.390 toneladas e elevação de 6%. No Estado, o crescimento da logística reversa é significativo desde 2011, com um salto de 32,1% em apenas três anos (veja os gráficos). Em novembro, o Paraná recolheu adequadamente 358 quilos do material, volume 22% maior que os 292 quilos do mesmo período do ano passado.
Além dos dois estados, grandes cargas saíram também de São Paulo, Goiás, Rio Grande do Sul e Bahia. Juntas, as localidades representam 76% do total destinado. Piauí, Rondônia e Tocantins foram os estados que obtiveram maior crescimento percentual na quantidade destinada, com 72%, 51% e 43% respectivamente. O inpEV é uma entidade criada pela indústria fabricante de agrotóxicos, atendendo a legislação que atribui a cada elo da cadeia (agricultores, fabricantes e canais de distribuição, com apoio do poder público) responsabilidades compartilhadas acerca da destinação correta dos produtos.
O incremento dos números mostra, sem dúvida, uma conscientização que já está arraigada no dia a dia dos produtores sobre o assunto. O presidente do Sindicato Rural Patronal de Londrina, Narciso Pissinati, não tem dúvidas sobre a importância que os agricultores da região dão ao assunto. "Acredito que mais de 90% devolva as embalagens usadas e sabem que a obrigatoriedade da legislação é um nítido benefício a eles. Inclusive, o sindicato sempre oferece cursos sobre o manuseio de agrotóxicos e a importância da logística reversa", lembra. "Já viajei para outros países, e nos Estados Unidos, por exemplo, não vi essa mesma conscientização, mesmo que eles usem menor volume dessas embalagens", complementa Pissinati.
De acordo com o coordenador regional de operações do inpEV no Estado, Caio Fernandes, atualmente existem em território paranaense 14 unidades centrais e mais 56 postos de recebimento das embalagens. Além disso, a entidade trabalha com 1.352 pontos fixos, em que é possível deixar os produtos, posteriormente recolhidos por caminhões itinerantes. "O agricultor não tem como falar que não é possível realizar a logística reversa. Fazemos um trabalho bem intenso, com divulgação sobre a ação itinerante com seis meses de antecedência. Ano a ano, os números crescem naturalmente", finaliza Fernandes.


