Reclamações contra empresas de solução financeira crescem 75%
Procon de Londrina registrou 74 queixas no último ano, principalmente por falhas na renegociação das dívidas prometidas pelas consultorias
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 25 de janeiro de 2023
Procon de Londrina registrou 74 queixas no último ano, principalmente por falhas na renegociação das dívidas prometidas pelas consultorias
Reportagem local 

A busca para adequar as parcelas do carro Honda Civic no orçamento familiar terminou de maneira surpreendente. O veículo, usado diariamente no trajeto de casa para o trabalho e para levar o filho à escola, teve a busca e apreensão cumprida por um oficial de Justiça depois que a mulher, que prefere não se identificar, procurou uma empresa que promete soluções financeiras e renegociação de dívidas com descontos exorbitantes.
Com duas parcelas em atraso, a mulher e o marido procuraram a renegociação por meio da consultoria da empresa “O Solucionador”. “O atendente falou pra não pagar mais nenhuma parcela do veículo e ao invés disso, parcelamos em cinco vezes, mais de R$ 800 por mês, pelo serviço prestado pela assessoria financeira, que garantiu que estava em negociação com o banco e que não tinha nenhum risco de perder o carro”, relatou.
Quando informado sobre a notificação, a mulher afirma que o atendente sugeriu, em uma conversa registrada por aplicativo de mensagem, que a cliente escondesse o veículo para evitar a apreensão. “Neste momento, eu pedi pelo rompimento do contrato, o que foi negado pela empresa. Em seguida, o único carro da família foi localizado e aconteceu a busca e apreensão”, lamentou.
A mulher afirma que a empresa levou mais de um mês para dar retorno depois que a cliente procurou uma orientação após perder o veículo. Agora, a mulher busca o ressarcimento na Justiça do valor pago pelo serviço, R$ 3.700,00, e também o montante referente ao carro. “Eu perdi meu carro e o caso está na Justiça. Não quero nada, além do que é meu. Não é justo o que eles fizeram e ainda não vão devolver o meu dinheiro.”
Essa é umas das 116 reclamações que foram registradas no Procon em 2021 e 2022 contra quatro empresas, sendo que 74 queixas foram feitas no ano passado, o que representa um aumento de 75% no número de reclamações contra o setor de “soluções financeiras” de um ano para o outro.
A empresa “O Solucionador” lidera o ranking com 86 reclamações nos últimos dois anos, sendo que 50 queixas foram registradas em 2022 e nas primeiras semanas deste ano.
“Os problemas são por falhas na prestação de serviços prometidos com descontos exorbitantes, que não foram cumpridos conforme a propaganda. Os valores dos contratos vão de R$ 1,8 a R$ 10 mil, o que varia conforme a porcentagem do valor da dívida”, explicou o coordenador do Procon, Thiago Mota Romero.
De acordo com ele, grande parte dos clientes procura o órgão em defesa do consumidor com o objetivo de ressarcimento do dinheiro investido no serviço, pois a dívida passa a pesar ainda mais no orçamento, que foi comprometido pelos débitos que motivaram a procura pela assessoria financeira.
Romero ainda lembrou que a Primeira Vara da Justiça Federal de Curitiba suspendeu, em setembro de 2022, as atividades da franquia “O Solucionador” por captação ilegal e exercício irregular da advocacia em ação proposta pela OAB-PR. Além de Londrina, a franquia tem unidades nas cidades de Toledo, Ponta Grossa, Londrina, Guarapuava, Foz do Iguaçu, Curitiba, Cascavel e Maringá. Mas, a empresa entrou com recurso para retomada das atividades e o caso está no TRF-4, o Tribunal da Justiça Federal da 4ª Região, localizado em Porto Alegre.
O coordenador do Procon ainda orientou que as pessoas com interesse em negociar dívidas procurem um advogado para intermediar o acordo com as empresas para abatimento de juros, multas e apresentação de propostas com objetivo de retirada do nome do SPC/Serasa. “Quem não tem condição de pagar pelo serviço pode participar do mutirão de renegociação de dívidas realizado pelo Procon de duas a três vezes por ano para quitação dos débitos com juros e multas menores”, comentou.
A reportagem conversou com o supervisor da Unidade de Londrina, que prometeu entrar em contato com a direção da empresa para um posicionamento sobre as reclamações dos clientes, mas até o fechamento da matéria não houve retorno.
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