Maria Inês Dolci, coordenadora institucional da Proteste-Associação Brasileira de Defesa do Consumidor, concorda que os consumidores brasileiros sejam impacientes, já que sofrem com problemas crônicos nos setores de telefonia, internet móvel, entre outros. "O serviço não funciona, mas se o consumidor deixa de pagar, cortam. Se ele paga, não tem o serviço da mesma forma", ressalta.
Na opinião da coordenadora, os problemas são causados pelas empresas responsáveis pelos serviços e pela falta de aplicação da lei que regulamenta os direitos do consumidor. Para ela, a impaciência é fruto de uma mudança no perfil do brasileiro. "O consumidor vem tendo atitude mais pró-ativa no sentido de cobrar e sabe que temos o código (de Defesa do Consumidor), que é exemplo para vários países. Vale a pena reclamar porque, de um problema pessoal, pode vir a solução para um problema coletivo", defende.
A pensionista Célia Duarte, 62 anos, que procurou o Procon-Londrina na tentativa de solucionar o que acredita ser um golpe, compartilha o pensamento da coordenadora da Proteste. Ela diz que foi abordada na rua por promotores de vendas de uma operadora de celular da qual já era cliente e aceitou a oferta de um novo chip com R$ 120 de crédito. No entanto, o suposto bom negócio mostrou-se um engodo após uma semana sem poder usar o aparelho.
"Quando não funcionou fui falar com a pessoa que me vendeu e ela desdenhou. Então, procurei a loja e eles me disseram que era outro procedimento, que não tinham como controlar", relata. A pensionista afirma consumir cerca de R$ 13 em créditos durante um mês e questiona como R$ 120 podem ter acabado tão depressa. Na opinião dela, os vendedores agiram de má-fé e outras pessoas devem ter sido enganadas. "É tudo mentira! Espero que eles parem de enganar as pessoas", diz. (C.F.)

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