Reclamação da Johnson acaba se voltando contra empresa
PUBLICAÇÃO
sábado, 01 de fevereiro de 2003
Marta Medeiros<br>Equipe da Folha 
Maringá Uma reclamação da Johnson & Johnson, de São Paulo, junto ao Procon de Maringá contra uma ótica da cidade acusada de venda a granel de lentes de contato acabou resultando na abertura de um procedimento sobre um produto da própria empresa denunciante, além da constatação de uma série de outras irregularidades. Segundo o coordenador do Procon, Adilson Reina Coutinho, a Johnson & Johnson alega que normas como as da Agência Nacional de Vigilância Sanitária proíbem a venda por unidade das lentes 1Day Acuvue.
Por outro lado, a defesa da ótica mostrou ao Procon a necessidade de investigar a vida útil da lente e trouxe ao processo, matérias sobre ações de indenização da Justiça dos Estados Unidos contra a Johnson & Johnson porque a lente 1Day Acuvue de uso restrito a um dia teria uma durabilidade superior a 15 dias. O Procon também está verificando a denúncia da ótica de que oftalmologistas estão comercializando lentes de contato nas clínicas particulares. A prática, conforme o Procon, é irregular.
Segundo Coutinho, o órgão iniciou um estudo para viabilizar uma ação civil pública com pedido de indenização contra a Johnson & Johnson. ''Para isso, é necessário um parecer técnico para que o perito faça ou escolha um instituto adequado para a análise sobre a vida útil das lentes 1 Day'', explicou o coordenador do Procon. Conforme Coutinho, se ficar constatado que a lente dura mais de um dia fica patente a lesão contra o consumidor. ''Somente esta ótica, acusada pela Johnson & Johnson de venda a granel, trouxe ao Procon uma lista com cerca de 200 consumidores habituais da lente 1 Day'', disse Coutinho. Em matéria veiculada na edição de 9 de maio de 2001, a revista Veja mostrou que a Justiça americana acatou pedido de indenização de US$ 860 milhões em favor dos consumidores da Johnson & Johnson.
A Folha tentou durante a semana falar com a assessoria jurídica da Johnson & Johnson, em São Paulo, mas não houve retorno das ligações. Uma assessora de imprensa da empresa ligou pedindo o envio por e-mail das perguntas, mas respondeu dizendo que a pessoa responsável pelo assunto não estava e por isso a Johnson & Johnson não iria se pronunciar.


