A edição do pacote fiscal trouxe mais preocupações e desconforto para as lideranças da agropecuária no Paraná, que já estão se desgastando com os efeitos da falta de recursos para o crédito agrícola. Recessão e desemprego são as consequências mais temidas pelos empresários da área agrícola. Para compensar essas medidas consideradas amargas pelo setor, as lideranças exigem a aprovação imediata das reformas e a queda dos juros, para que sejam criadas as condições para a retomada do desenvolvimento econômico.
O presidente da Ocepar, João Paulo Koslovski, criticou a elevação de impostos anunciada pelo governo federal, que oneram ainda mais as empresas. Com a previsão de crescimento negativo de 1% do Produto Interno Bruto para 1999, ele prevê o agravamento das dificuldades, que vai obrigar as empresas a reavaliarem suas planilhas, dentre eles o custo com pessoal, podendo ocorrer muitas demissões. A indagação que se faz é ‘‘será que o governo vai fazer o seu dever de casa e promover de imediato as reformas tributária, previdenciária e trabalhista’’, perguntou Koslovski. Para o presidente da Ocepar as cooperativas serão profundamente penalizadas com a elevação da CPMF e com a contribuição do Cofins.
O presidente da Federação da Agricultura do Paraná, Ágide Meneguete prevê mais arrocho e aumento dos custos de produção. Com a redução da massa de renda circulante no país, Meneguette disse que vai faltar dinheiro para a comercialização dos produtos agrícolas. Segundo ele, se o governo não adotar medidas para inibir a entrada de produtos importados que acabam com a competição dos produtos nacionais, o ano de 1999 será ‘‘catastrófico’’. Ele prevê que o ano que vem vai repetir o ano de 1995, quando o setor rural viveu o maior massacre de todos os tempos.
ArquivoDever de casaKoslovski, presidente da Ocepar, pergunta: Será que o governo fará seu dever de casa?Para Meneguete, se o governo não controlar a importação de algodão, arroz, feijão e lácteos que entram no país em condições mais vantajosas de prazos e taxas de financiamento, os produtores não terão margem de rentabilidade para competir.
Cálculos da Ocepar O presidente da Ocepar mostrou um cálculo sobre o aumento de 90% na alíquota da CPMF, feito pela Ocepar. Uma cooperativa que fatura R$ 200 milhões por ano, paga R$ 40 mil de CPMF, com alíquota de 0,2%, por mês. Com a alíquota de 0,38%, vai passar a pagar R$ 76 mil, ‘‘ um valor expressivo e preocupante’’, disse Kosloviski. Outro fator preocupante que onera o setor produtivo, acrescentou, é a elevação da Cofins, de 2% para 3% sobre o faturamento bruto e mais 0,65% sobre a folha de pagamento.
Para o presidente da Ocepar, faltou o governo definir uma política de sustentação aos setores produtivos para evitar as consequências danosas da elevação do desemprego. As cooperativas pretendem apresentar uma proposta de reforma tributária, que elimine a carga do Cofins sobre as empresas do setor rural, que é muito alta. Segundo Koslovski, as empresas do setor já trabalham com uma margem estreita de rentabilidade e a incidência de impostos estreita ainda mais essa margem.
As medidas de ajuste fiscal também não agradaram a Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Paraná, que esperava uma posição sobre a inserção do país no mercado internacional. Para Sergio Gutierrez, ficou claro que a abertura da economia não foi negociada e que o país precisa controlar o capital externo. Com isso, a população tem que absorver as medidas econômicas que não vão melhorar a economia. ‘‘ Pelo contrário, vão trazer mais recessão’’, disse.
A preocupação da Fetaep é a mesma apontada pela Faep, ou seja, com a comercialização dos produtos agrícolas. Segundo Gutierrez, a tendência dos preços agrícolas é de queda, devendo impor um sacrifício ainda maior para os produtores.
Renda será menor Na Secretaria da Agricultura do Paraná, a avaliação também é de redução na margem de rentabilidade do setor agropecuária. Segundo o diretor do Departamento de Economia Rural, Noberto Ortigara, a elevação de impostos embutidos na compra de insumos, combustível e adubos vai onerar ainda mais os custos de produção. Ele avalia que o pacote será recessivo e poderá anular os efeitos que estão sendo buscados para evitar a insolvência do poder público.
Como efeito negativo para os estados agrícolas, Ortigara aponta a prorrogação do FEF. ‘‘ Isto significa menos dinheiro no orçamento para estados e municípios aplicarem em programas de agricultura’’. Por outro lado, se o esforço de arrecadação for bem sucedido, as medidas abrem espaço para a redução das taxas de juros, que será benéfico para o setor produtivo, concluiu.ArquivoArrochoMeneguete, presidente da Faep, prevê aumento dos custos e redução do dinheiro circulanteVânia Casado

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