Recessão nos EUA abala mercado
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sexta-feira, 02 de fevereiro de 2001
Agência Estado De São Paulo 
O mercado financeiro teve um dia agitado ontem. A Bovespa foi fortemente abalada pelo temor mundial da recessão nos Estados Unidos, pelo fato de um só consórcio ter apresentado proposta para a Banda C do Serviço Móvel Pessoal e pela luta política envolvendo a eleição para as presidências da Câmara e do Senado. O índice da carteira teórica paulista fechou em queda forte de 3,58%.
A indústria norte-americana, setor que representa um quinto da economia mais rica do mundo, está oficialmente em recessão. Dado divulgado ontem por uma entidade privada indica que a produção da indústria no país contraiu, em janeiro, pelo sexto mês consecutivo. Segundo definição técnica, existe recessão na economia ou em algum de seus setores quando há contração por dois trimestres seguidos. O dado divulgado ontem é da NAPM (Associação Nacional de Gerentes de Compra), cujas pesquisas servem de parâmetro para o Fed (o banco central dos EUA) definir sua política monetária. A NAPM informou que seu índice de atividade industrial caiu para 41,2 pontos em janeiro, o mais baixo nível desde março de 1991, na última recessão norte-americana. Um número abaixo de 42,7 indica uma contração da indústria. Com base neste índice, a NAPM projetou também que o crescimento total do PIB norte-americano em janeiro tenha ficado entre 0,6% e -0,6%.
Essa projeção, feita com sucesso na maior parte dos 85 anos de existência da instituição, permite concluir que a economia dos EUA parou ou cresceu marginalmente em janeiro ou, na pior das hipóteses, contraiu pela primeira vez em 117 meses. Isso significaria estagflação.
A este fator externo, somaram-se dois domésticos. No front das concessões, houve apenas um interessado na Banda C do Serviço Móvel Pessoal (leia na página 5). O leilão de um só candidato acontecerá na próxima terça-feira, ou seja, corre até o risco de um vexame, com desistência de última hora. Por fim, o mercado acordou para o risco de o governo Fernando Henrique ver sua base aliada esfacelada, por causa da briga pelas presidências da Câmara e do Senado. Os investidores puxaram o freio de mão.
O dólar comercial fechou ontem em alta de 0,91%, a R$ 1,991, maior preço desde 21 de outubro de 1999. O déficit de US$ 479 milhões da balança comercial em janeiro (leia mais na página 4), o pessimismo com o fluxo de recursos para o País e as promessas dos candidatos à presidência da Câmara contra os processos de privatização para obter apoio do PT causaram nervosismo no mercado e aumento das ordens de compra de dólar. O preço do comercial oscilou 0,92% no dia, entre a mínima de R$ 1,974 (+0,05%) ea máxima de R$ 1,992 (+0,96%).


