Recessão já atinge o setor metalúrgico
PUBLICAÇÃO
domingo, 11 de outubro de 1998
Agência Estado 
A recessão chegou antes do que especialistas previram, na avaliação dos sindicatos dos trabalhadores. Neste mês a produção deveria estar acelerada, mas boa parte dos empregados do setor metalúrgico está em férias coletivas, licença remunerada ou numa fila de demitidos, aguardando a homologação de seus extintos contratos. Somente nos últimos dez dias, as entidades anotaram reduções de quadros na Caterpillar, Cofap, Borlen, Bundy, Villares, Pirelli, Bosch, MMW, Krupp, Sifco e Plascar, para citar apenas as indústrias mais conhecidas. Juntas, essas grandes e médias companhias demitiram 1.365 funcionários.
Outras como a TRW abriram pacote de demissões voluntárias. Há ainda aquelas que estão anunciando redução de custos e negociando com sindicatos saídas. É o caso da Metal Leve, que pretende economizar US$ 700 mil em seis meses. Na cadeia automotiva, a paradeira é geral. Sindicatos estimam mais de 2 mil demissões no Estado de São Paulo apenas este mês em indústrias de autopeças.
O presidente do Sindicato Nacional dos Fabricantes de Componentes para Veículos Automotores (Sindipeças), Paulo Butori, previu 6 mil demissões neste segmento, deste mês até novembro, baseado em pesquisa nacional com fornecedores das montadoras de veículos. Se os sindicatos estiverem certos na estimativa de 2 mil dispensas já efetuadas, isso significa que um terço da previsão de Butori se cumpriu em apenas dez dias e somente no Estado de São Paulo.
O mesmo Butori comunicou ao presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Luiz Marinho, que até meados de 1999 nada menos que 30 mil vagas poderão ser fechadas nas autopeças do País. Se o governo não aceitar negociar com empresários e trabalhadores uma política de preservação de empregos, as autopeças demitirão perto de 15% da mão-de-obra, afirma Marinho.
Nas montadoras de veículos, a situação é incerta. Há um acordo de manutenção do nível de emprego até 31 de dezembro. A estimativa dos empresários é de queda da produção de até 20% este ano, em relação ao ano passado - em 1997 foram montados perto de 2 milhões de unidades e este ano serão produzidas algo em torno de 1,6 milhão. Há portanto uma ociosidade de produção correspondente a no mínimo 15 mil empregos, podendo chegar a 20 mil.
Se a atual ociosidade vai persistir, ninguém sabe. Por enquanto, as quatro montadoras de automóveis estão adotando paradas na produção e reduzinho jornadas, depositando o tempo não trabalhado num banco de horas para reposição posterior. Fiat e Ford suprimiram temporariamente o turno da noite. Volkswagen e General Motors deram férias coletivas.
A Caterpillar (máquinas agrícolas) adotou uma fórmula mista, segundo o Sindicato dos Metalúrgicos de Piracicaba: dispensou 70 funcionários fixos, decidiu não renovar contratos temporários de outros 400 e dará férias coletivas de duas semanas. Outras companhias estão demitindo aos poucos, para avaliar a situação dia após dia. O Sindicato dos Metalúrgicos de Santo André informou que a Cofap pode demitir outros 170 além dos 280 já desligados depois de férias coletivas em novembro e dezembro.


