A recessão econômica enfrentada por Japão e Estados Unidos já afeta a cadeia produtiva da seda no Brasil. Principais consumidores do fio de seda brasileiro, em forma de matéria prima ou produto acabado, os dois países diminuiram as compras. Noventa por cento da produção brasileira é vendida para o exterior. Por causa da baixa demanda, os preços internacionais reduziram em 36,7% nos últimos três anos.
Segundo Antônio Takao Amano, presidente da Associação Brasileira de Fiações de Seda (Abrasseda), o quilo do fio custava US$ 31,12 em 2000. A previsão é que o produto termine o ano de 2003 cotado a U$$ 19,70. A conjuntura é agravada pela desvalorização do dólar fente ao real. ''Em 2001 e 2002, o câmbio favorável ao exportador brasileiro compensou a queda de preço'', disse.
Na safra 2002/2003, o Brasil produziu 10.238 toneladas de casulos verdes. No ano anterior, a produção foi 2,7% menor: 9.966 toneladas. Para a próxima safra, que começa neste mês, a expectativa é que o volume reduza mais 4,6%. Amano explicou que, na última safra, problemas climáticos como a geada tardia e a estiagem prejudicaram a produção de folhas de amora (utilizadas para alimentar os bichos da seda). Além disso, muitos criadores desestimularam-se com os preços e deixaram a atividade.
Devair Galani, presidente da Associação dos Sericicultores de Nova Eperança (município localizado a 35 km a noroeste de Maringá e que é o maior produtor brasileiro de casulo), comentou que o criador recebeu, na última safra, R$ 4,80 por quilo de casulo. O valor, que há alguns anos era remunerador, apenas cobre os custos de produção encarecidos pela alta do dólar do ano passado. ''O preço do esterco e do adubo químico dobrou'', reclamou o produtor.
Ele afirmou, ainda, que o setor está em crise há cinco anos. ''Mas a safra passada foi a pior'', considerou Galani, que confirmou o abandono da atividade por muitos criadores. Há alguns anos, eram 1260 associados que produziam casulos de seda em Nova Esperança. Hoje, o número reduziu para 760.
No município, segundo o técnico Oswaldo da Silva Pádua, o número de barracões diminuiu de 1662 para 800. ''Na próxima safra, deve reduzir mais 10%'', disse. Como a maioria dos produtores trabalha em sistema de parceria com famílas de trabalhadores, a consequência é que muita gente ficou sem emprego. ''Atualmente, a atividade só é viável para quem utiliza mão-de-obra familiar'', afirmou.
Para ele, a sericicultura deve fazer parte de um sistema de diversificação da propriedade. Café, mandioca e frango de corte, exemplificou, são algumas das atividades adequadas para complementar a renda.
O Paraná é o maior produtor brasileiro de fio de seda, respondendo por 90% da produção nacional. Galani informou que a Secretaria Estadual da Agricultura e Abastecimento (Seab) liberou R$ 1,5 milhões, a fundo perdido, para auxiliar os produtores. O dinheiro, segundo ele, estará disponível até o final do mês. ''São as mesmas regras do Paraná 12 Meses'', acrescentou.

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