A descapitalização do brasileiro é tão grande que não sobra dinheiro sequer para acender uma vela ao santo. Com base no balancete dos últimos meses, os supermercados de Londrina reduziram a compra de velas para o Dia de Finados deste ano.
Segundo Marcelo Augusto Dias, gerente de negócios da rede Super Mufatto, a expectativa é vender 20% menos que o registrado em 2002. ''Durante o ano, percebemos uma queda de, no mínimo, 15% neste setor. Isso acontece porque o consumidor prioriza alimentos e produtos de higiene e limpeza. Vela é considerado um supérfulo na lista de compras'', justificou.
Sérgio Obara, proprietário do Supermercado Musamar, disse que comprou um pouco mais de velas este ano para abastecer sua nova loja mas, levando em consideração apenas a mais antiga, a quantidade foi a mesma do ano anterior. Assim como ele, Gabriela Fros Teixeira, gestora de inventário da rede Sonae, acredita que a procura pelo produto deve aumentar nos próximos dias. ''Normalmente, o consumidor compra vela às vésperas do Dia de Finados. Mesmo assim, acreditamos que a venda deva cair cerca de 30%'', previu Gabriela.
Na rede Viscardi, o desânimo é tanto que até agora a mercadoria nova não foi exposta nas gôndolas. Na opinião do diretor de compras Ademar Vedoato, a tradição de queimar vela em memória dos mortos está se perdendo e hoje resume-se às pessoas mais idosas ou as mais espiritualizadas. Por isso, a empresa também não aumentou o pedido do produto.
Neste caso, a falta de dinheiro cria um outro impecilho aos comerciantes. Muitos desempregados ou aspirantes a microempresários aparecem na porta dos cemitérios vendendo velas para alívio dos acomodados ou atrasadinhos. ''Isso é uma injustiça porque nós pagamos impostos e eles não'', reclamou Obara ao lembrar que a busca por flores nesta época é muito maior em relação às velas.

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