Recessão deixa meca dos sacoleiros em ruínas
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terça-feira, 15 de janeiro de 2002
Patrícia Iunovich 
Foz do Iguaçu Vinte anos depois de impulsionar um dos maiores ciclos de atividade informal no Brasil, o comércio de Ciudad del Este, cidade paraguaia na fronteira com Foz do Iguaçu, está em ruínas. Hoje, existem apenas lembranças do tempo em que a antiga meca dos sacoleiros chegou a contar com mais de sete mil lojas e registrar um faturamento anual de US$ 12 bilhões.
Em menos de duas décadas, Ciudad del Este foi do céu ao inferno. Conhecida internacionalmente como paraíso da muamba, a cidade foi responsável no início dos anos 80 pelo terceiro maior movimento comercial do mundo, atrás apenas de Hong Kong e Miami, com vendas anuais em torno de US$ 12 bilhões. O faturamento anual caiu para R$ 1 bilhão em 2001, confirmando a tendência de queda, iniciada em 1995.
A atividade de sacoleiro começou por volta de 1980 e teve seu ápice em 1993, até começar a decair a partir de novembro de 1995. Neste período a economia ficou estagnada e no bojo dessa recessão, o mercado informal explodiu no País. Milhares de desempregados encontraram no sacolismo, o único meio de sobrevivência. Sete anos depois, a situação é bem diferente.
A decadência do centro comercial de Ciudad del Este começou em 1995, quando o governo reduziu de US$ 250 para US$ 150 o limite de isenção de impostos para compras feitas no exterior e que entram no País via terrestre como bagagem acompanhada. Somou-se a essa medida, o rigor na fiscalização da Receita Federal para conter o avanço do contrabando e tráfico de drogas procedentes do Paraguai.
O número de sacoleiros caiu de cerca de 3 milhões, em 1993, para não mais do que 500 mil em 2000. Os números estão cada vez mais decrescentes também por causa da diferença cambial do real frente ao dólar. O primeiro grande baque veio com a maxidesvalorização do real em janeiro de 1999.


