O temor de recessão nos Estados Unidos ligou o sinal de alerta da economia mundial. A perspectiva de desaceleração na maior economia do mundo foi o pano de fundo das quedas registradas nas bolsas de valores nos últimos dias. O estopim foi há mais de seis meses, com a crise nos créditos subprime (hipotecas de alto risco). Mais recentemente, o sinal vermelho foi dado com as perdas bilionárias de um dos maiores bancos dos EUA, o Citigroup (US$9,8 bilhões) e também do banco de investimentos JP Morgan (queda de 34% de seu lucro no quarto trimestre, que ficou em US$2,97 bilhões). As perdas de cada um no segmento de crédito de risco no período foram de US$ 18,1 bilhões e US$ 1,3 bilhão respectivamente.
Para o professor de economia Azenil Staviski, as perdas com a crise nos créditos subprime tiveram efeito dominó, atingindo o lucro dos bancos que, por sua vez, repercutiu nas empresas já que o crédito ao setor produtivo diminui, afetando também o consumidor, visto que as empresas passam a produzir menos implicando na redução dos postos de trabalho. ''O Fed (Banco Central americano) e outros bancos centrais já baixaram um pacote de ajuda financeira para amenizar o problema de crédito. Porém, a política monetária adotada até agora é de adiar a crise, o que na minha opinião, gera um impacto maior. Com esta característica expansionista, há o risco de aumento da inflação, o que pode inibir um novo corte de juros empurrando o país para um desaquecimento mais acentuado. O mercado tende a se ajustar, mas há um custo (quedas nos níveis de emprego, renda, alta nos preços'', pondera.
De acordo com Staviski, caso a economia americana entre em recessão o maior impacto será em relação às exportações, principalmente dos países emergentes, tais como Brasil, México e China. ''Os EUA são o maior parceiro isolado do Brasil no setor agropecuário. As vendas apenas ao mercado americano são similares às exportações para toda a Europa'', compara. Em relação às declarações de Mantega, o professor observa que o governo brasileiro afirma que a desaceleração americana não afetará o País porque se demonstrar preocupação o impacto negativo é maior.

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