Curitiba - A receita operacional líquida do setor de serviços atingiu pela primeira vez o patamar de R$ 1,004 trilhão em 2011, o que significou uma alta de 11% em relação a 2010 quando a receita tinha sido de R$ 856 bilhões. Os dados fazem parte da Pesquisa Anual de Serviços (PAS) e foram divulgados ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O levantamento mostrou ainda que o setor teve crescimento de 9,1% nas contratações de trabalhadores em relação a 2010 totalizando 11,398 milhões de pessoas ocupadas.
No Paraná, em 2011, a receita bruta foi de R$ 54,1 bilhões, valor 11,9% maior que no ano anterior. O pessoal ocupado no setor no Estado cresceu 11,7% em 2011 e totalizava 655.524 trabalhadores. Ainda em 2011, o número de empresas do setor no Estado era de 89.891 e de 1,081 milhão no País. A pesquisa mostrou que, em 2011, foram pagos um total de R$ 10,791 bilhões em salários no Estado, volume 15% maior que em 2010.
Para o doutor em Desenvolvimento Econômico Luciano D’Agostini, nos últimos anos o setor inflou a criação de empregos no País. Isso foi provocado por um processo de desindustrialização que o Brasil vem sofrendo. Além disso, o setor de serviços foi impulsionado pelo crédito. "O País perdeu a capacidade de geração de empregos na indústria com a perda de competitividade no setor, o que levou à desindustrialização", explicou.
Ele acredita que, se o governo não fizer um plano de desenvolvimento para a indústria, o Brasil vai aumentar ainda mais a participação no emprego no setor de serviços. "Isso poderá auxiliar o País a convergir para o clube do Sul que é formado por países da América Latina, África e alguns asiáticos com renda per capita baixa ou média. Neste cenário, o Brasil também ficaria mais suscetível a crises financeiras de qualquer natureza", explicou. Para D’Agostini, o resultado do setor de serviços no Brasil em 2011 ainda era reflexo da crise financeira de 2009.
O especialista disse que, na verdade, o desempenho do setor em 2011 não é motivo para comemoração e "acende uma luz amarela". Ele defende que o governo deveria se preocupar em realizar um plano de desenvolvimento do setor industrial, reduzir o custo País e investir em educação.

Setores
A pesquisa revelou que a área de transportes e correio foi a que registrou maior receita, somando R$ 288,4 bilhões. O montante corresponde a 28,5% da receita total do setor e envolve serviços de transporte de passageiros e cargas, além de serviços de armazenamento e entregas postais.
O presidente da Federação das Empresas de Transporte de Cargas do Estado do Paraná (Fetranspar), Sérgio Malucelli, disse que 2011 foi um bom ano para o setor até por conta do desempenho positivo da indústria. Já em 2013, ele comentou que a safra recorde aqueceu o setor nos primeiros meses, mas agora o setor vive uma estabilidade. Segundo Malucelli, também ficou estável agora a compra de novos caminhões por conta da alta do dólar e da inflação. Na sua opinião, hoje o Paraná funciona como um centro de distribuição de mercadorias para a região Sul do País. A previsão dele é que o setor cresça cerca de 8% neste ano.
O segundo setor com maior crescimento de receita em 2011 foi o de serviços profissionais, administrativos e complementares que envolve consultorias, assessorias e trabalhos técnicos com R$ 268,3 bilhões. O segmento de serviços de informação e comunicação também teve participação elevada com receita de
R$ 259,4 bilhões. Somados, os três compreendem 80,6% da receita operacional líquida. (Com Agência Estado)

Imagem ilustrativa da imagem Receita líquida do setor de serviços atinge R$ 1 tri



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