Receita investiga golpe do cupom fiscal
Carmem Murara
A Receita Estadual pode estar diante de uma das maiores redes de sonegação fiscal do Estado que, pela forma como foi montada, levou os fiscais a uma longa e minuciosa investigação. Os técnicos e funcionários da Receita descobriram o uso de programas de computador montados especificamente para viabilizar a sonegação do Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS). A investigação está sendo feita em supermercados espalhados pelo interior do Estado. Alguns estabelecimentos de Londrina, Maringá e Cascavel foram autuados nos últimos dois dias e 17 caixas registradoras foram lacradas.
Coordenados pelo secretário da Fazenda, Giovani Gionédis, os fiscais receberam carta branca para vasculhar a contabilidade e os procedimentos de vendas das empresas. Os fiscais acabaram por descobrir que alguns supermercados estavam utilizando um chip que adulterava a máquina registradora de mercadorias vendidas. As mercadorias não eram contabilizadas para efeito de recolhimento do ICMS para a Receita, apesar de haver a impressão da nota fiscal. A informática está sendo usada para a sonegação, concluiu ontem o secretário da Fazenda, Giovani Gionédis, em entrevista dada à TV Paranaense.
O golpe do cupom fiscal, como está sendo chamado, toma proporções que causaram um alvoroço no Palácio Iguaçu. Há dois dias, interlocutores do governador Jaime Lerner reúnem provas e armam o esquema para a divulgação da sonegação, que segundo eles mesmos ganharia repercussão nacional. O fato estava sendo guardado a sete chaves e só seria divulgado no início da próxima semana, mas os fatos vieram à tona com a operação feita ontem no Norte e Noroeste do Estado.
Um grupo reservado da Polícia Militar auxilia a Receita Estadual a descobrir os envolvidos no golpe. Eles descobriram a existência de um programa de gerenciamento que anula a venda efetuada, fazendo com que se estabelecesse um caixa dois nos supermercados. Em blitz feitas pela Receita foram encontradas máquinas que emitem cupom fiscal sem lacre e adulteradas. Os responsáveis pela sonegação podem ser autuados por crime contra a ordem tributária.





