Maringá A Receita Estadual e a Polícia Civil de Maringá realizaram ontem uma operação simultânea em cinco empresas autodenominadas ''representantes'' de combustíveis. As empresas não são reconhecidas pela Agência Nacional de Petróleo (ANP) e também não participam da cadeia comercial de combustíveis, onde estão previstos apenas as usinas, distribuidoras, transportadores e postos. Nos locais foram apreendidos uma série de notas fiscais em branco, talões de distribuidoras de combustíveis e lacres de tanques, além de computadores, cheques e dinheiro.
Segundo o responsável pela Promotoria de Combate à Sonegação Fiscal, Maurício Kalache, os documentos como notas fiscais e talões e os lacres de tanques não poderiam estar com as empresas representantes porque fazem parte do sistema contábil das distribuidoras e postos. Kalache disse que as apreensões configuram indícios de uso de documentos irregulares para legitimar a venda de combustíveis sem nota fiscal. ''Estas representantes são a princípio intermediadoras entre postos e distribuidoras e podem ser eventualmente entre postos e usinas, no caso do álcool'', afirmou o promotor.
Kalache explicou que a operação foi realizada depois de três meses de investigações de um grupo de trabalho montado pela Receita Estadual e Receita Municipal com base em denúncias anônimas de venda de combustíveis sem nota fiscal. O resultado da análise de toda a documentação e dos dados dos computadores apreendidos será encaminhado para a Promotoria. Durante a operação, uma pessoa identificada como sócia de uma das empresas foi presa, mas liberada no final da tarde.
Conforme a Polícia Civil, as investigações vão se desdobrar para outras áreas porque em uma das empresas foram localizados R$ 800 mil em cheques e R$ 20 mil em dinheiro, com informações de que o dono atuava como agiota. A polícia vai ouvir os responsáveis pelos cheques. Em outra empresa, a polícia encontrou documentos que mostravam uma movimentação financeira nos últimos dois anos superior a R$ 30 milhões. O grupo de trabalho deve ampliar as investigações também nos postos de gasolina.
Segundo o delegado-adjunto da 9 Subdivisão Policial de Maringá, Ítalo Cesar Sepa, a operação foi simultânea e de surpresa, com o recolhimento prévio de todos os celulares das 40 pessoas, entre agentes e policiais integrantes das equipes, e aviso sobre o serviço somente 10 minutos antes do início dos trabalhos. O promotor Kalache não tem idéia da dimensão dos valores sonegados ao fisco por estas empresas representantes. Conforme o promotor, o setor de combustíveis é responsável por 30% de toda a receita tributária do Estado. ''O quanto omitem por meio das representantes é agora alvo das investigações'', disse Kalache.

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