Vânia Casado
Equipe da Folha
  Curitiba - Pelo menos 719 pessoas físicas e empresas paranaenses devem ser intimadas pela Receita Federal (RF) porque tiveram gastos com cartão de crédito incompatíveis com a declaração do Imposto de Renda (IR). Esses contribuintes movimentaram R$ 6,3 milhões e se declararam isentos para pagamento de IR ou não apresentaram a declaração do imposto. Desse total, R$ 5,8 milhões foram movimentados pelas empresas e R$ 452 mil pelas pessoas físicas.
  O cruzamento das informações declaradas ao IR com a movimentação nos cartões de crédito integram uma operação nacional deflagrada pela Secretaria da Receita Federal, há cerca de dois meses. Os indícios de ocorrência de fraudes e sonegação fiscal foram detectados em Brasília e agora as delegacias nos estados começam a detalhar as investigações, informou o superintendente da delegacia da Receita Federal no Paraná e Santa Catarina, Luiz Bernardi.
  A operação em Brasília examinou a situação de 200 mil contribuintes, dos quais foram selecionados 10.219 pessoas físicas e jurídicas em todo o País. Dos contribuintes selecionados no Paraná, cerca de 90 intimações já foram expedidas. Segundo Bernardi, eles terão que explicar a origem dos recursos gastos e as informações serão confrontadas com o que consta nas declarações.
  De acordo com Bernardi, a operação não está se limitando aos gastos no cartão de crédito acima do limite de R$ 5 mil como chegou a ser anunciado. Na atual investigação, mesmo os gastos abaixo desse valor estão sendo investigados e confrontados com as declarações no IR, explicou. As investigações devem prosseguir até o final do ano.
  A investigação com gastos de cartão de crédito representa outra linha de trabalho da RF para evitar fraudes e sonegação fiscal. Segundo Bernardi, a RF trabalha com o confronto da movimentação financeira em contas correntes incompatível com as declarações feitas, movimentação patrimonial, movimentação de capitais como a compra de barcos e aeronaves, remessa de recursos ao exterior, despesas médicas com limite excessivo e outros indicativos que apontam para sonegação.
  A RF mantém no Paraná 700 ações de fiscalização abertas envolvendo 5 mil contribuintes entre pessoas físicas e jurídicas que devem explicações ao fisco. Se constatadas as irregularidades, os contribuintes responderão a processos admistrativo-fiscais que podem elevar o valor do imposto devido em até 225%. Ou então, vão responder a processos criminais.

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