A Delegacia da Receita Federal em Maringá concluiu duas ações fiscais contra sonegadores identificados através da movimentação bancária. Outras 17 ações devem ser concluídas até o final de setembro, todas referentes à CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira) recolhida no ano de 1998. No total, explica o delegado Décio Pialarissi, o cruzamento dos dados da CPMF com as declarações de Imposto de Renda (IR) gerou a investigação de 36 pessoas físicas e empresas na região de Maringá, que movimentaram juntas mais de R$ 350 milhões.
A receita conseguiu comprovar irregularidades em 19 casos, que representam uma sonegação de aproximadamente R$ 70 milhões. A investigação realizada com os dados de 1998, segundo Pialarissi, partiu do recolhimento da contrbuição, já que são pessoas que não declaram IR. ''São laranjas, alguns assalariados que movimentavam quantias muito elevadas'', revela. Para investigar, a receita estipulou um teto de movimentação de R$ 1 milhão para pessoa física e de R$ 5 milhões para empresas.
Os dois casos encerrados, segundo Pialarissi, representam quase R$ 10 milhões. O trabalho da receita é de chegar aos responsáveis pelo dinheiro, que são denunciados à Procuradoria da República para a ação penal. ''São empresas de vários setores e agiotas que normalmente usam o nome de parentes isentos do IR para fazer a movimentação'', explica.
Ele conta o caso de um motorista, da região de Paranavaí, que movimentou R$ 5 milhões em um ano, e se declarava isento. ''Ele contratou uma das bancas mais caras de advogados no País, mas foi investigado'', afirma Pialarissi. A identificação de irregularidades por parte de agiotas e empresas de factoring, deu condições para a Receita identificar também a sonegação em empresas. São empresários que ''desviavam'' cheques de clientes para contas particulares ou de terceiros, o que é irregular.
A partir do próximo ano, a delegacia de Maringá começa a cruzar os dados da CPMF de 1999 a 2001. A intenção é inverter a forma de investigação, analisando a partir das declarações do IR a serem cruzadas com a movimentação do CPMF. ''Até agora pegamos laranjas, agora vamos partir para os sonegadores'', avisa Pialarissi.

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