Receita dos serviços tem menor crescimento em sete meses
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terça-feira, 20 de maio de 2014
Cecília França<br>Reportagem Local 
A receita nominal do setor de serviços cresceu 6,8% em março, em comparação com o mesmo mês do ano passado, índice bem inferior aos 9,2% e aos 10,1% registrados, respectivamente, em janeiro e fevereiro. No primeiro trimestre, o acumulado chega a 8,7%, segundo a Pesquisa Mensal de Serviços (PMS) divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em março, todos os setores pesquisados tiveram expansão menor que nos dois primeiros meses do ano.
O pesquisador do IBGE, Roberto Saldanha, destaca a influência negativa dos serviços de informação e comunicação e de transportes e correios, que têm as maiores influências no resultado final e expandiram 4,4% e 8% em março, respectivamente. Em fevereiro o setor de informação teve expansão de 6,7% e o de transportes de 14,7%. "No caso dos serviços de informação, impactou bastante a redução dos serviços de edição, em função das menores encomendas de materiais e livros didáticos por parte dos governos estaduais e municipais; no caso dos transportes, as reduções da atividade industrial e do comércio impactaram de forma negativa no transporte de cargas", explica Saldanha.
Segundo o pesquisador, o menor volume de exportações também reduziu o crescimento dos transportes aquaviários. Saldanha destaca, ainda, outros setores, como o de serviços auxiliares à agropecuária, que tiveram crescimentos menores em março em virtude dos problemas de estiagem. Os serviços prestados às famílias tiveram crescimento de 10%; serviços profissionais, administrativos e complementares, de 8,8%; e outros serviços, 3,3%.
O economista da Confederação Nacional do Comércio (CNC), Fábio Bentes, destaca que o setor de serviços, aliado ao comércio, representa quase 70% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, contudo, não vem tendo ganhos reais. "Os serviços estão crescendo este ano 0,2%; no ano passado também ficou zerado e, em 2012, dado mais antigo da PMS, teve pouco crescimento real", exemplifica.
Inflação
Para Bentes, o fato de a PMS do IBGE ser divulgada sem um fator deflacionário causa uma "miopia na análise". Ele ressalta o efeito calendário como prejudicial ao desempenho do setor no mês de março, com a realização do Carnaval, e explica que, quando aplicada a inflação do setor, os dados mostram receita negativa de 2,3%.
"A inflação dos serviços, no comparativo com março do ano passado, foi de 9,1%, maior que em fevereiro (8,8%), sendo a mais elevada desde janeiro de 2012", ressalta Bentes. De acordo com o economista, os valores dos serviços de refeição, empregados domésticos e aluguéis contribuíram para o aumento da inflação.
Contudo, o segundo semestre pode ser de melhoria para o setor com a realização da Copa do Mundo, que deve impulsionar os serviços prestados às famílias, como alimentação e hospedagem. Com a inflação cedendo (o IPCA de Serviços em abril foi de 8,9%), o setor pode, enfim, registrar um crescimento real.
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