Receita de sucesso de PokémonGo vai além de Realidade Aumentada
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sexta-feira, 05 de agosto de 2016
Mie Francine Chiba<br>Reportagem Local 

O uso da tecnologia de Realidade Aumentada, que une aspectos do real e do virtual em um só ambiente nos jogos, não é nova. Três anos atrás, a Niantic Labs, mesma empresa que criou o PokémonGo, já havia criado o Ingress, game em que os jogadores precisam percorrer o mundo real a fim de completar as missões. O cenário é o trabalho de uma equipe de cientistas europeus que descobriu uma energia misteriosa. A forma de explorar essa energia divide os jogadores em dois times, os iluminados e a resistência, que competem entre si.
O jogo tem mais de 14 milhões de downloads, nada comparado ao PokemonGo, que já soma mais de 50 milhões de downloads só na plataforma Android. "A forma do jogo não é tão nova", diz Rafael Baptistella, professor do curso de Jogos Digitais do Centro Tecnológico Positivo. Para ele, o que fez o PokemonGo ter um sucesso tão assustador foi a associação à marca Pokémon e o suporte do Google Maps para a geolocalização dos monstrinhos e de outros itens do jogo. "Essa é a receita." Além disso, deve-se considerar que a base instalada de smartphones hoje é muito maior que três anos atrás e que os aparelhos evoluíram muito em termos de qualidade e de processamento.
Em pesquisa realizada pela PiniOn, plataforma de pesquisas on-line e mobile, 51% dos entrevistados que já ouviram falar do jogo Pokémon Go disseram que o sucesso de PokémonGo vem da tecnologia de Realidade Aumentada; e para 35%, da popularidade do desenho animado e dos personagens do Pokémon. E 24% disseram já conhecer outros jogos e aplicativos que utilizam Realidade Aumentada e 65% destes afirmaram que já jogaram algum jogo deste tipo. O número é considerado alto por Talita Castro, analista de pesquisa do PiniOn. "Uma parcela grande já não considera (jogos com RA) tão inédito."
Mesmo assim, 45% que já ouviram falar sobre o jogo se interessaram por baixar o aplicativo e 39% disseram que estão ansiosos para isso. Os percentuais crescem entre aqueles que já assistiram os desenhos animados do Pokémon: 50% destes se interessaram por baixar o aplicativo e 44% estão ansiosos para baixar o aplicativo. Entre os que já jogaram jogos de vídeo game do Pokémon, os índices sobem ainda mais: 71% se interessaram por baixar o aplicativo; e 65% se disseram ansiosos para baixar o aplicativo.
Jogo social
O que espanta os não gamers no caso PokémonGo é a quantidade de gente reunida indo às ruas para caçar Pokémons. O professor do Centro Tecnológico Positivo lembra, entretanto, que os games sempre tiveram um aspecto social. A diferença é que agora os gamers estão "mostrando suas caras" no mundo exterior. "O jogo faz as pessoas irem para a rua. O que assusta quem não joga é ver a quantidade de gente reunida, mas para quem joga isso não é novidade. Isso já ocorre através da própria internet e de campeonatos. A conexão de pessoas através dos jogos é imensa."


