A receita nominal de serviços do País cresceu 9,3% em janeiro deste ano sobre o mesmo período de 2013, segundo a Pesquisa Mensal de Serviços (PMS) divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). As atividades que puxaram o indicador foram Serviços Prestados às Famílias, com 12,1%, e Transportes, Serviços Auxiliares e Correios, com 10,0%. No acumulado em 12 meses, a média do índice bateu em 8,5%.
Como o IBGE ainda não divulga um deflator, para que se desconte a inflação para o cálculo da variação do volume real dos serviços consumidos, a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) apresentou ontem uma conta própria, com base na inflação do setor no período. Segundo o economista do órgão, Fabio Bentes, a alta de preços ficou em 8,26% nos últimos 12 meses, o que indica aumento de 1,1% no volume em um ano.
Os 8,5% do acumulado em 12 meses está abaixo da taxa para igual mês de 2013, quando foi de 9,8%. "É uma tendência de desempenho menor em relação a 2013. O setor de serviços acompanha, é complementar em relação a outras atividades, como indústria, comércio e agricultura", diz o técnico da Coordenação de Serviços e Comércio do IBGE, Roberto Saldanha.
Para ele, a receita de serviços apresenta estabilidade em torno de 8,5% no acumulado, desde o terceiro trimestre do ano passado. "Mas, mesmo descontando a inflação, tem um crescimento real", diz.

Renda e salários
No Paraná, a receita nominal de serviços avançou 7,8% em janeiro sobre o mesmo período do ano passado, com acumulado de 7,2% em 12 meses. Por atividade no primeiro mês deste ano, o item Serviços Prestados às Famílias, que incluem alimentação fora de casa, aumentou 10,7%, de Transportes e Correio, 10,1%, de Informação e Comunicação, 5,6% e Serviços Profissionais, Administrativos e Complementares, 3,6%.
Para o diretor de pesquisas do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes), Julio Suzuki, a variação positiva, tanto nacionalmente quanto no Estado, reflete o aquecimento do mercado de trabalho e a consequente alta nos preços causadas pela baixa oferta de mão de obra. "Os serviços prestados às famílias são os que mais aumentam porque nos encontramos em contexto de alta na renda das famílias, por estarmos próximos do pleno emprego."
A professora de economia Katy Maia, da Universidade Estadual de Londrina (UEL), lembra que a variação no Paraná, a 17ª em janeiro entre todos os estados brasileiros, pode indicar uma base de comparação melhor no Estado, já que os líderes são Distrito Federal, Goiás, Paraíba, Amazonas e Mato Grosso do Sul. "Os que têm maior potencial crescem mais", diz.
Suzuki, porém, faz dois alertas. Ele lembra que a inflação de serviços segue elevada, o que reduz a expectativa de crescimento. Ainda, diz que o resultado positivo se dá em atividades que dependem exclusivamente da demanda interna, porque não podem ser importadas ou exportadas. "Esse modelo econômico brasileiro apresenta sinais de esgotamento e o Paraná não está desvinculado disso. Taxas mais elevadas de crescimento exigiriam ajustes que o governo federal não vai fazer pela proximidade do calendário eleitoral", diz o diretor do Ipardes.

Metodologia
A PMS abrange o segmento empresarial não financeiro, exceto os setores da saúde, educação, administração pública e aluguel imputado. Ainda não há divulgação de dados com ajuste sazonal, já que o IBGE exige série histórica de quatro anos para comparar mês contra mês imediatamente anterior. (Com Agência Estado)

Imagem ilustrativa da imagem Receita de serviços tem alta de 9,3% em janeiro
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