São Paulo Os pequenos e médios supermercados devem encerrar o ano com uma perda de faturamento de 8%. As vendas nestes estabelecimentos estão acompanhando a queda de renda da população, que vem perdendo o poder de compra diante do aumento de preços. De acordo com o presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Gêneros Alimentícios do Estado de São Paulo (Sincovaga), Wilson Tanaka, a população está cortando os produtos supérfluos de seu orçamento para poder garantir a aquisição dos básicos, o que gera impacto direto na receita dos estabelecimentos.
Ele explica que em um supermercado que trabalha com cinco mil itens, se 200 sobem de preço, outros 4.800 deixam de vender, justamente aqueles que conferem maior rentabilidade. ''Os produtos de maior valor agregado tiveram queda substancial nos últimos tempos'', disse. Com isso, de janeiro a setembro, o setor acumula uma perda de 6% nas vendas em relação ao mesmo período de 2001.
As negociações com fornecedores voltaram a ficar tensas como não ocorria há muito tempo. ''Recuperamos até o linguajar da época da inflação'', disse ele, explicando que o termo indexação voltou ao vocabulário da indústria e do varejo depois que o dólar iniciou sua escalada. O aumento de preços de alimentos nos supermercados deve bater os 2% em setembro, segundo ele, depois de ter registrado 1,6% em agosto.
Ele destaca que as discussões estão em uma rotina atípica. Os supermercados evitam fazer novas encomendas a fim de pressionar as empresas a rever suas tabelas. Estas, se estiverem precisando escoar sua produção, tendem a reduzir os preços.
No entanto, se conseguem fazer ajustes em suas linhas de montagem e reduzem o ritmo de fabricação, acabam regulando os estoques e desta forma sustentam os valores. É uma situação, entretanto, que não pode ser duradoura para nenhuma das partes, destaca o empresário, pois também o supermercado não pode adiar por muito tempo suas compras sob pena de ficar desabastecido.

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