Receita de Camdessus
Como o Brasil pode fugir do contágio da crise
1 - Os principais atores devem assumir todas as suas responsabilidades para que a economia cresça. Por isso houve o beneplácito do Federal Reserve para começar a reduzir os juros. O Fed teve uma visão sobre o futuro e é preciso acertar a postura dos Estados Unidos para prevenir problemas futuros.
2 - Na Europa, há margem para reduzir os juros. Isto ocorrerá com a convergência dos juros na região do euro, mas não em direção à média das taxas, e sim em direção aos juros na França e na Alemanha, que são os mais baixos.
3 - O elemento mais importante são os esforços do Japão para equilibrar seu setor financeiro e manter os esforços fiscais, abertura e desregulamentação da economia, com apoio aos países asiáticos.
4 - Outro aspecto consiste em ajudar os países que foram afetados pela crise. Eles devem ajudar a si próprios, mas o resto do mundo deve ajudá-los para a reestruturação da dívida, com apoio bilateral - como o do Japão - e as idéias da Espanha de criar um fundo para ajudar a América Latina a vencer suas dificuldades.
5 - Também devem ser ajudados aqueles que estão tentando evitar o contágio. O esforço da União Européia pode ser muito importante. Hoje, 77 países-membros estão negociando programas com o FMI. Esta é uma forma de se adaptar à situação vigente. A estratégia para defender o mundo deve ser feita com a reposição dos recursos do mundo, adaptando nossas estruturas a um mundo em mudanças.
6 - Não estou propondo um novo Plano Marshall. O que proponho é que a coordenação pode não ser o melhor, porque os temas são diferentes. Os Estados Unidos estão vivendo o auge de um ciclo, a União Européia, o começo. As decisões não devem partir apenas do G-7 mas no Comitê Provisório, para que seja possível fazer um consenso para salvar o mundo em crise. O objetivo é criar condições de crescimento.





