Receita das exportações do agronegócio cresce 1%
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quarta-feira, 23 de janeiro de 2013
Nelson Bortolin<br>Reportagem Local 
Em 2012, a receita das exportações do agronegócio brasileiro, apesar das quedas dos preços internacionais no segundo semestre, alcançou o recorde de US$ 97 bilhões, superando em 1% o total de 2011. A informação consta no balanço divulgado ontem pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Universidade de São Paulo (USP). O órgão aponta que um dos fatores que ajudaram o setor, que embarcou 8,6% mais produtos que em 2011, foi a desvalorização do Real, que teve perda de aproximadamente 10%.
Em volume, os destaques foram os aumentos da exportação do milho (107,22%), do etanol (56,65%) e das carnes bovina (14,72%) e suína (11,82%). Já em preço, num contexto em que a maioria dos produtos do agronegócio teve queda, foram verificadas altas para o farelo de soja (16,22%), para a soja em grão (10,99%) e para o suco de laranja/laranja (2,59%). As maiores retrações se deram nos preços do café (-11,64%), açúcar (-7,9%), frutas (-7,5%), carne suína (-7%) e bovina (-5,6%).
No Paraná, o Departamento de Economia Rural (Deral) ainda não tem um balanço fechado de todo o agronegócio em 2012, mas já concluiu o de algumas culturas. A receita da exportação estadual de milho, por exemplo, cresceu 158% - de US$ 426 milhões em 2011 para US$ 1,1 bilhão no ano passado, acompanhando o aumento de 180% das toneladas exportadas - de 1,5 milhão para 4,2 milhões.
Apesar da quebra de 29% da última safra, a receita das exportações da soja recuou apenas 3,8%, de US$ 3,38 bilhões em 2011 para US$ 3,25 bilhões no ano passado. Foram exportadas 6,9 milhões de toneladas contra 6,28 milhões de toneladas no ano anterior 10% a menos. "Não fosse a quebra na safra, teríamos exportado muito mais", diz o economista do Deral Marcelo Garrido. A produção saiu de 15,3 milhões de toneladas na safra 2010/11 para 10,8 milhões de toneladas na de 2011/12.
Segundo Garrido, a tendência é de que a produção na safra 2012/13 seja próxima à de 2010/11. "Tudo caminha para isso. O clima está ajudando a lavoura. A tendência é de uma boa produção", ressalta.
Já a produção do milho do Paraná 2011/12 totalizou 16,46 milhões de toneladas, na primeira e na segunda safras, o que representa um crescimento de 32% perante as 12,47 milhões de toneladas das duas safras 2010/11. A área plantada passou de 1,69 milhão de hectares na segunda safra 2010/11 para 2,04 milhões no segundo ciclo de 2011/12, crescimento de 20%.
Para a engenheira agrônoma Juliana Yagushi, além da excelente produção de milho, a quebra na safra dos Estados Unidos ajudou a alavancar as exportações paranaenses no ano passado. "A tendência para este ano é de manutenção da área plantada, mas esperamos um aumento de 15% na produção caso o clima não atrapalhe", afirma.
Trigo
Em relação ao trigo, o Deral não calculou a receita das exportações, que caíram de 711 mil toneladas em 2011 para 440 mil no ano passado, retração de 38%. "Como a área plantada diminuiu bastante, o mercado interno se antecipou e comprou nossa produção", diz o engenheiro agrônomo do Deral, Carlos Hugo Godinho. Segundo ele, 87% do trigo paranaense já foi comercializado. Em 2012, nesta mesma época, só 48% haviam sido vendidos.
A redução da área plantada foi de 29% - de 1 milhão de hectares em 2011 para 776 mil no ano passado. Mas a produção foi boa, com uma queda de apenas 14%. Em 2011, o Estado havia produzido 2,45 milhões de toneladas e, em 2012, a produção totalizou 2,1 milhões de toneladas.
De acordo com Godinho, o preço do trigo fechou o ano com alta de 53% em relação a dezembro de 2011.



