Receita da Petrobras com exportação pode cair US$ 20 mi por mês
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 17 de janeiro de 2003
Agência Estado 
Rio de Janeiro Se o Brasil adotar a nova fórmula da gasolina, baixando de 25% para 20% o teor de álcool no combustível, o País deixará de exportar, pelo menos, US$ 20 milhões por mês. A redução foi proposta por usineiros e está sob avaliação do Conselho Interministerial do Açúcar e do Álcool (Cima). A Petrobras é exportadora de gasolina A (pura, sem álcool), mas terá que reduzir o volume de vendas no mercado externo para compensar a redução do porcentual de álcool na gasolina C (vendida aos postos).
O Brasil consome, por mês, uma média de 1,9 bilhão de litros de gasolina C, uma mistura de 75% de gasolina A e 25% de álcool. Se o porcentual de álcool cair para 20%, como querem os usineiros, as vendas de gasolina A no Brasil para as distribuidoras, que fazem a mistura, aumentará em 5 pontos porcentuais, ou 6,7%. Isso significa uma redução de 96,3 milhões de litros no volume de gasolina A disponível para exportação.
Considerando o preço internacional da gasolina, de US$ 0,24 por litro na cotação de anteontem, a receita de exportação da estatal vai sofrer uma perda de US$ 23 milhões, segundo um especialista. No ano passado foram vendidos ao mercado externo mais de 3,2 bilhões de litros de gasolina, segundo dados da Agência Nacional do Petróleo (ANP) sobre exportações até novembro de 2002. Isso representa uma média mensal de 292 milhões de litros.
O aumento do consumo interno de gasolina A em 96,3 milhões de litros vai representar uma queda de 32,9% no volume médio mensal exportado pela Petrobras. A exportação de gasolina vinha subindo ano a ano, contribuindo para a redução da dependência brasileira de petróleo e derivados importados. Até novembro de 2002, a estatal havia exportado um volume de gasolina 17,9% superior ao registrado em 2001.
De acordo com cálculos da agência, em 2002, o Brasil necessitou de importações para suprir apenas 10% de suas necessidades de consumo, menos da metade do registrado no ano anterior e cinco vezes menos que há dez anos. O aumento da produção de petróleo, que foi de 14% só em 2002, foi fundamental para que o País precise cada vez menos de buscar petróleo e derivados no mercado externo.


