A receita global da Cooperativa Agropecuária Mourãoense (Coamo), de Campo Mourão, atingiu R$ 964,59 milhões em 1998, com recuo de 11,31% em relação à 97, quando a receita atingiu R$ 1,02 bilhão. O patrimônio líquido da cooperativa cresceu 12,75% em relação a 1997, ficando em R$ 376,25 milhões. A Coamo, maior cooperativa agropecuária do País, repetiu em 98 a melhor performance do setor.
Os números do desempenho da cooperativa em 98 foram divulgados ontem pelo presidente da Coamo, José Aroldo Galassini, durante a 29ª Assembléia Geral Ordinária. A queda na receita, segundo Galassini, foi provocada pela redução dos preços da soja no mercado internacional.
Galassini observou que em 98 a agropecuária nacional sofreu ‘‘diretamente’’ os efeitos da abertura econômica. ‘‘A importação de produtos subsidiados na origem, como milho, algodão e derivados do leite, contribuiu para o emprobrecimento dos produtores’’, afirmou. Segundo ele, os recursos para o financiamento da agricultura foram insuficientes para promover crescimento da atividade, e continuaram com taxas de juros elevadas ‘‘se considerarmos os níveis inflacionários, os prazos de pagamento das importações e as taxas praticadas nessas operações.
O presidente da cooperativa afirmou que, apesar das dificuldades que o setor produtivo enfrentou no ano passado, está satisfeito com o resultado. Os cerca de mil cooperados que participaram da assembléia, decidiram pela distribuição dos R$ 56,74 milhões em sobras geradas no ano passado, resultado 15,06% maior que o obtido em 97. Parte das sobras irá para fundos legais e estatutários e o restante será dividido entre os cooperados. Em dezembro, a Coamo adiantou a distribuição de R$ 4 milhões em sombras para seus 17,1 mil cooperados. O restante será distribuído a partir do dia 18 de fevereiro. ‘‘O cooperado da Coamo é privilegiado, pois, além de todo acompanhamento que tem durante o ano, recebe sobras no final’’, comentou.
O recebimento de produtos agrícolas pela Coamo cresceu 7,3%, atingindo o volume recorde de 2,79 milhões de toneladas. ‘‘Os bons resultados são fruto do apoio maciço do quadro social que entendem o verdadeiro espírito cooperativista e as políticas administrativas implantadas pela cooperativa’’, disse.
A Coamo, que é a maior cooperativa agrícola do País, participa com 4,9% da produção brasileira de soja e 20,9% da produção paranaense. Na produção de milho, a Coamo responde por 2% da produção nacional e 8,3% do volume colhido no Paraná, no algodão responde por 4,2% do que é colhido no Brasil e 27% da produção do Paraná.
No ano passado, a Coamo duplicou a capacidade de produção da indústria de soja em Paranaguá, elevando sua capacidade de esmagamento de mil toneladas para 2 mil toneladas/dia. A cooperativa também iniciou a construção de um armazém com capacidade de 55 mil toneladas, no Porto de Paranaguá, e a modernização do fluxo de embarque do Terminal Portuário para agilizar o embarque de farelo e grão de soja. As exportações de soja da Coamo em 98 somaram US$ 132,68 milhões.
Área de atuação Segundo Galassini, desde o último dia 10, a Coamo assumiu, através de uma parceria financeira, três entrepostos da Cooperativa Agropecuária Mista de Guarapuava (Cooamig). No próximo dia 19, a direção da Coamo fará a primeira reunião com os cooperados da Cooamig. ‘‘Já nesta safra iniciaremos o recebimento da produção’’, comentou.

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