As exportações brasileiras de carne bovina fecham o ano com aumento de 40% sobre as exportações do ano passado, considerando o coeficiente em carcaça, que inclui carnes in natura e industrializadas. Até início de dezembro os embarques já somavam mais de 800 mil toneladas - comparadas com as 553,7 mil toneladas no ano passado -, com receita de US$ 970 milhões (US$ 788,8 milhões ano passado). As projeções para Associação Brasileira dos Exportadores apontam receita ainda maior no fechamento dos números de dezembro: US$ 1,1 bilhão.

Mesmo assim, o crescimento da receita será menor do que o crescimento do volume porque houve aumento das exportações de carnes de segunda, a preços inferiores. Isto se explica pela ampliação das vendas para países menos exigentes no Oriente Médio, e a redução de contratos com países da Europa que reduziram o consumo de carne diante da disseminação das doenças da vaca louca (encefalopatia espongiforme bovina), no início do ano, e aftosa no segundo semestre.

A FNP Consultoria & Mercados previu, dias atrás, desempenho semelhante para 2002. As exportações brasileiras de carne bovina em 2002, segundo projeções, devem render aproximadamente US$ 1,06 bilhão para um volume a ser exportado de 838 mil toneladas equivalente carcaça. Ou seja, um crescimento em relação a 2001, ainda que modesto. Novos mercados como o da Rússia, China e alguns países do Oriente Médio, devem contribuir para contrabalançar um previsto recuo nas exportações para Chile e Israel, que devem voltar a importar em maior quantidade do Uruguai e possivelmente da Argentina em 2002.

Se o ano foi bom para exportações de carne (de janeiro a novembro houve um crescimento de 44,5% sobre os 12 meses do ano passado), no mercado interno os preços, em dólares, recebidos pelos pecuaristas ficaram abaixo da média histórica e dos preços praticados no ano passado.

O preço médio da arroba do boi gordo recebido pelo pecuarista paranaense este ano (de janeiro a dezembro) foi de R$ 41,36 (US$ 17,67). A média toma por base os preços praticados nas praças da região Noroeste (Maringá, Paranavaí e Umuarama) que praticam preços acima da média estadual.

No Estado de São Paulo, balizador de mercado, o preço médio recebido pelos pecuaristas, no mesmo período, tomando por base a praça de Araçatuba, foi de R$ 42,72 (US$ 18,26). Nos dois casos o pagamento em 30 dias, para descontar Funrural, 2,2%.

As exportações brasileiras em 2001 foram fortemente beneficiadas pela rejeição do consumidor às carnes européias, por razões sanitárias, e pela variação cambial que em dado momento acumulou 18%.

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