O Brasil perdeu mais de US$ 100 milhões no primeiro semestre deste ano com o declínio nas exportações de carne de frango provocado, principalmente, pela crise asiática. Nos primeiros seis meses do ano, a receita cambial com as exportações totalizou US$ 342,459 milhões FOB contra US$ 449,505 milhões no mesmo período de 97, um recuo de 23,8%, de acordo com a Associação Brasileira dos Exportadores de Frango.
O declínio nos volumes exportados foi de 10,9% (incluindo frango inteiro e em cortes), passando de 325.078t no primeiro semestre de 97 para 289.643t de janeiro a junho deste ano. O preço médio do produto brasileiro no período recuou 14,5%, passando de US$ 1.383,00 por tonelada para US$ 1.182,00.
Além da crise asiática, a Abef aponta ainda a recessão na economia japonesa, as políticas de subsídios dos Estados Unidos e da França e o protecionismo da União Européia como motivos para a queda nas exportações.
Japão De acordo com os exportadores, as principais perdas nas vendas no primeiro semestre foram registradas na Ásia, com redução de 17,75% nos volumes e de 27,3% na receita cambial. O destaque na Ásia foi o Japão, cujas vendas tiveram queda de 29,95% em volume no período e de 30% na receita cambial.
As vendas para a Europa também tiveram um forte declínio se comparados os dois semestres. Em volume, o recuo foi de 13,06% e em receita, de 30,73%.
Exportação de cortes - As exportações para a Rússia tiveram declínio de 73% em volume e de 78% em receita cambial por causa da crise econômica local. Mas além da crise, o Brasil está tendo dificuldades de colocação de produto brasileiro no mercado russo por causa da concorrência com a França, cuja exportação é subsidiada, segundo o diretor-executivo da Abef, Cláudio Martins.
‘‘A grande dificuldade continua sendo os subsídios’’, afirma Martins, defendendo a criação de linhas de crédito específicas para exportar para a Rússia.
As perdas nas vendas de cortes de frango foram superiores às de produto inteiro, uma vez que o Japão importa basicamente cortes. Nos primeiros seis meses deste ano, as vendas de corte totalizaram 114.973t contra 132.876t no mesmo período de 97, um declínio de 13,47%. As vendas de frango inteiro passaram de 192.202t no primeiro semestre de 97 para 174.669t nos primeiros seis meses deste ano, queda de 9,12%.
Tendência A expectativa da Abef para o segundo semestre é de que as exportações melhorem em comparação com os primeiros seis meses deste ano, mas mesmo assim a meta para 98 não deve se alterar. A idéia é que as exportações devem fechar o ano em cerca de 620 milt, 6% a menos que em 97. A receita cambial deve ficar em US$ 750 milhões, 12% inferior ao registrado em 97.
O esperado aumento nas vendas no segundo semestre se baseia na sinalização de melhores preços no mercado japonês, segundo Cláudio Martins. Ele lembra, ainda, que o segundo semestre tradicionalmente é mais favorável para o setor, e que o País está buscando novos mercados, como Cuba e Malásia.
No Japão, além da indicação de melhores preços, há expectativa de aumentar os volumes vendidos, pois o país tem enfrentado problemas com abastecimento, informa Martins. Um exemplo é a recente apreensão de frangos com resíduos de componentes químicos originários dos EUA e da Noruega.

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