Receita com exportação de frango cai 23,34% no ano
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quarta-feira, 01 de julho de 1998
Alda do Amaral Rocha Agência Estado 
As exportações brasileiras de carne frango em maio deste ano tiveram um recuo de 7,7% em relação ao mesmo mês de 1997, segundo dados divulgados ontem pela Associação Brasileira dos Exportadores de Frango. Em maio de 98, foram exportados 44.837 toneladas de frango (entre inteiros e cortes) contra 48.578 toneladas em maio de 97. A maior redução se deu nas vendas de cortes de frango, que declinaram 11,5%, passando de 19.862 toneladas em maio de 97 para 17.577 toneladas em maio passado.
As vendas de frango inteiro tiveram queda de 5,07%. Em maio deste ano, foram exportadas 27.259 toneladas contra 28.715 no mesmo período de 97. A perda em receita nas vendas de frango inteiro foi de 17,19% em maio último. Em maio deste ano foram arrecadados US$ 28,857 milhões contra US$ 34,847 milhões no mesmo mês de 97.
As exportações de cortes tiveram maior perda em receita, de 18,49%, passando de US$ 30,636 milhões (FOB) em maio de 97 para US$ 24,972 milhões (FOB) em maio passado.
No acumulado de janeiro a maio, os volumes exportados de cortes de frango e de frango inteiro totalizaram 242.452 toneladas, uma queda de 9,31% em relação às 267.352 toneladas exportadas nos cinco primeiros meses de 97. A receita acumulada com as exportações (de inteiros e cortes) de janeiro a maio totalizou US$ 283,534 milhões contra US$ 369,854 milhões no mesmo período de 97, um declínio de 23,34%.
Japão Na avaliação da Abef, o resultado das exportações de frango mostra a dificuldade que o setor enfrenta no mercado internacional em função do prolongamento da crise asiática, em especial do Japão. As importações do país de janeiro a maio recuaram 23%, e com isso, as importações asiáticas recuaram 11,37% no período.
Segundo a Abef, os efeitos da crise asiática, bem como da estagnação da economia japonesa, justificam a performance negativa. As vendas de cortes para a Europa recuaram 9% nos cinco primeiros meses do ano, e segundo a Abef, a queda se deve ao protecionismo europeu. Já as exportações de cortes para o Oriente Médio e para o Mercosul, cresceram de janeiro a maio, 46% e 14%, respectivamente.
A redução nas exportações de frango inteiro foi marcante para o mercado russo, onde as vendas declinaram 87% nos cinco primeiros meses de 98 em comparação com o mesmo período de 97. De acordo com a Abef, lá o frango brasileiro enfrenta a concorrência dos Estados Unidos, que praticam preços inferiores aos do produto nacional.
O Oriente Médio, principal importador de frango inteiro do Brasil, também comprou menos de janeiro a maio deste ano, cerca de 3%. Neste caso, segundo a Abef, o Brasil enfrenta a concorrência dos EUA e França, que se utilizam de enormes subsídios para manter e aumentar seu market share.
As exportações de frango inteiro para o Mercosul continuam a crescer, conforme os números da Abef. No período, o crescimento foi de 32%. A expectativa é de que o ritmo de crescimento diminua no segundo semestre, mas que não seja inferior a 25%.


