São Paulo - A exportação de carne bovina no período de janeiro a setembro apresentou elevação de 3,88% em termos de receita cambial, em comparação com o mesmo período do ano passado, para US$ 3,563 bilhões. Os dados foram divulgados ontem, em São Paulo, pela Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec). A entidade estima que até o fim do ano a receita pode alcançar US$ 5 bilhões.
Em volume, entretanto, houve queda de 21% no período, passando para 689,5 mil toneladas. De acordo com a Abiec, o aumento de receita foi impulsionado em grande parte pelo incremento de 30,63% no preço médio da carne exportada em relação ao mesmo período de 2010, que subiu para US$ 5.131 a tonelada.
Na comparação mensal, a receita cambial do setor em setembro apresentou crescimento de 24,94%, para US$ 457,832 milhões em comparação com o mesmo mês de 2010. O volume embarcado no mês passado, no entanto, registrou queda de 4,45%, para 84,414 mil toneladas. O preço médio de exportação foi 30,76% maior ante setembro do ano passado, para US$ 5.423,62 por tonelada.
Recuo
As exportações de carne bovina em volume devem recuar cerca de 15% este ano em comparação com 2010, segundo a Abiec. O presidente da entidade, Antonio Jorge Camardelli, avaliou, porém, que essa queda será compensada pelo aumento do preço médio das carnes embarcadas, estimado em 20%, aliada à recente valorização do dólar ante o real.
''O dólar (valorizado) vai dar uma competitividade maior para o setor'', afirmou, em entrevista a jornalistas. Segundo ele, a valorização do dólar começará a se refletir no valor das exportações dentro de 30 a 45 dias. Em contrapartida, o dirigente destaca o efeito negativo das dívidas em dólar contratadas pelas empresas. ''A alta do dólar tem impacto nas empresas, pelas aquisições, que geraram aumento dos compromissos financeiros, mas tem o reflexo positivo na competitividade'', disse.
Sobre o embargo russo à carne brasileira, o dirigente destacou que a indústria brasileira tem capacidade para atender às exigências. ''Estamos fazendo uma quantidade significativa de análises paralelas, em cima das que deram resultado positivo a algum tipo de micro-organismo'', afirmou. Segundo ele, o setor está preparado para receber a comitiva de técnicos do governo russo ao Brasil, programada para o fim de outubro e início de novembro.
De acordo com ele, as vendas para a Rússia devem avançar de agora em diante, pela proximidade do final de ano e a necessidade do Brasil atingir as cotas de embarque do produto. Em setembro, a Rússia respondeu por 22% do total exportado pelo Brasil.
Camardelli manifestou a preocupação do setor em relação aos focos de febre aftosa registrados no Paraguai. Ele comentou que essa situação pode trazer benefícios comerciais, pela proximidade do país com o Brasil. ''Mas sempre que há uma ocorrência negativa para o setor, ninguém ganha com isso'', ponderou.
Do total exportado nos primeiros nove meses do ano, a carne bovina in natura representou US$ 3,082 bilhões, com aumento de 3,89% ante o mesmo período de 2010. O volume, no entanto, recuou 20%, para 610,098 mil t. Já a receita cambial com carne industrializada ficou no período em US$ 480,625 milhões (mais 3,80% ante 2010). O volume exportado foi de 79,426 mil t, correspondendo a uma redução de 27%.

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