São Paulo - A receita cambial com exportação de café no ano agrícola 2004/05 (de julho de 2004 a junho de 2005) deve apresentar recorde de cerca de US$ 2,3 bilhões, melhor resultado dos últimos oito anos. O resultado é 50% superior ao do período anterior, conforme projeções do diretor geral do Conselho dos Exportadores de Café (Cecafé), Guilherme Braga. O volume embarcado deve alcançar cerca de 27 milhões de sacas de 60 kg.
Em maio, a exportação é estimada em cerca de 2 milhões de sacas, das quais 1,75 milhão de sacas de grãos verdes (arábica e robusta), além de cerca de 250 mil sacas em solúvel. O Cecafé divulgará os resultados definitivos de maio no início da semana que vem. Os dois principais destinos do café brasileiro são Alemanha e Estados Unidos.
Segundo Braga, o excelente resultado deve-se basicamente à alta dos preços da commodity no mercado internacional, em virtude da oferta mundial equilibrada em relação à demanda. Estima-se que o contrato futuro do café, base julho, em Nova York, acumula ganhos de cerca de 14% desde o início do ano.
O diretor geral do Cecafé acrescenta que o setor começa a se preocupar com o câmbio. Isso porque até o momento o aumento dos preços internacionais do café tem compensado as perdas cambiais, com o real fortalecido em relação ao dólar. ''Mas os preços externos tendem a se acomodar com a entrada da safra brasileira, enquanto o real continua valorizado'', diz Braga. ''A consequência disso é que a renda do produtor, em real, tende a diminuir'', acrescenta.
No primeiro semestre deste ano, estima o Cecafé, a exportação brasileira deve ficar muito próxima de 13 milhões de sacas. O segundo semestre pode ser tão bom, por causa da nova safra que começa a entrar no mercado. Com isso, os embarques devem ficar muito próximos do ano passado (cerca de 26 milhões de sacas). ''Já podemos pensar em uma revisão das previsões do início do ano, que indicavam exportação de 23 milhões de sacas em 2005'', informa.
Os exportadores também estão atentos à recuperação dos preços do café robusta, que deve provocar o deslocamento do conillon brasileiro do mercado interno para o exterior.

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