Receita 'caça' sonegadores em PG
Uma dona-de-casa, que se diz isenta de Imposto de Renda em Ponta Grossa, movimentou R$ 31 milhões no ano de 1998. Dados como esse, obtidos através da verificação de arrecadação da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF), levaram a delegacia da Receita Federal de Ponta Grossa a iniciar uma investigação mais profunda sobre os contribuintes da cidade. A investigação descobriu que durante o ano de 98, 215 pessoas tiveram uma movimentação financeira incompatível com a sua Declaração de Imposto de Renda.
Das 215 pessoas, a Receita pretende pedir a quebra do sigilo bancário de 20 delas. Quinze são pessoas físicas e cinco jurídicas. Na última sexta-feira, elas foram notificadas e têm um prazo de 20 dias para entregar na Receita comprovantes da movimentação financeira, os extratos bancários. Caso não o façam, o delegado Fernando Saraiva pretende pedir ao Banco Central autorização para a quebra do sigilo bancário.
As cinco empresas, por exemplo, se dizem pequenas e algumas até são optantes do Simples, o imposto simplificado para empresas que têm um faturamento de até R$ 120 mil ao ano. No entanto, juntas elas movimentaram R$ 180 milhões em 98. Só uma delas é responsável pela movimentação de R$ 71 milhões.
Já as 15 pessoas físicas investigadas são responsáveis pela movimentação de R$ 86,5 milhões em 98. Entre elas está a dona-de-casa que se dizia isenta, embora a isenção contemple apenas as pessoas que ganham até R$ 900,00 por mês. A dona-de-casa em questão teve uma renda média de R$ 2,5 milhões por mês.
O delegado acredita que tanto as pessoas físicas quanto as jurídicas são laranjas, ou seja, são usadas para limpar o dinheiro de outras pessoas, que desenvolvem atividades irregulares, como o narcotráfico, o contrabando e a corrupção. Pela minha experiência, elas não entregarão os comprovantes conforme o pedido feito através da notificação, diz o delegado, que nesse caso pedirá a quebra do sigilo bancário.
Saraiva pretende concluir as investigações dessas 20 pessoas num prazo de 90 dias. O passo seguinte é encaminhar o resultado para o Ministério Público, que se encarregará de fazer a denúncia e o pedido de abertura de uma ação criminal contra os envolvidos.
O delegado acredita que com essa investigação, a Receita descobrirá quem são os traficantes e corruptos da cidade. Sua desconfiança explica-se pelo fato de que todos os investigados são pessoas sem expressão na sociedade.





