Receita arrecada R$ 21 bilhões
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sexta-feira, 09 de agosto de 2002
Agência Folha 
Brasília - A arrecadação total de impostos e contribuições federais no mês de julho atingiu R$ 21,280 bilhões, valor recorde para meses de julho e a segunda melhor arrecadação da história da Receita Federal. Esse bom desempenho deveu-se ao pagamento de débitos em atraso e à desvalorização cambial do período, que motivou um número maior de operações de swap para fins de hedge (proteção).
O valor arrecadado é, em termos reais a preços de julho, 21,35% superior ao arrecadado em junho deste ano e 13,42% maior que a arrecadação de julho de 2001. O número foi tão surpreendente que a sua divulgação mereceu a participação do secretário da Receita, Everardo Maciel.
Ele lembrou que, em fevereiro de 1999, logo após o anúncio do primeiro acordo do Brasil com o Fundo Monetário Internacional (FMI), a arrecadação tributária surpreendeu analistas e teve o mesmo efeito da credibilidade. ''A arrecadação de julho se enquadra neste contexto'', disse.
Apesar de não contar mais com o pagamento de débitos em atraso por parte dos fundos de pensão, já que o parcelamento terminou em junho, a Receita, em julho, foi beneficiada com o pagamento de impostos em atraso por parte de várias empresas. Uma medida do governo anistiou parcialmente multa e juros de débitos em atraso, para os contribuintes que aceitassem desistir de ações judiciais e quitar a dívida com o fisco. A anistia para multa foi total e foram perdoados os juros até janeiro de 1999. Com isso, julho contou com uma arrecadação extra de R$ 1,115 bilhão.
A arrecadação foi beneficiada com a alta do dólar. A arrecadação do IRRF-Capital (Imposto de Renda Retido na Fonte sobre ganho de capital) cresceu 82,44% na comparação com junho, graças principalmente às operações de swap. Segundo ele, quando há uma instabilidade cambial, a arrecadação melhora com a procura por hedge.
A tributação dos rendimentos de fundos de renda fixa também cresceu de R$ 284 milhões para R$ 541 milhões em julho. O movimento pode ser explicado pela volta da valorização das cotas dos fundos, após a queda dos rendimentos em junho.


