Curitiba - O delegado da Receita Estadual, João Moacir Gionédis, afastou ontem o fiscal Alceu Cardoso Júnior, denunciado por um empresário de Curitiba por extorsão. Segundo o empresário Elder Rodrigues dos Santos, dono de uma marmoraria, Cardoso teria pedido R$ 15 mil mais 40 metros de mármore importado para não lhe aplicar multa por irregularidade encontrada na documentação da empresa.
Segundo o empresário, Cardoso agia em parceria com uma pessoa de nome Sandro, que não foi identificado como funcionário da Receita. Nas fitas gravadas pelo empresário, em momento nenhum ouve-se a voz de Cardoso. As conversas são sempre com Sandro, que segundo o denunciante, agia em parceria com o fiscal.
O delegado da Receita disse que ficou sabendo do caso pela imprensa, na tarde de quarta-feira, e no mesmo dia foi instaurada uma comissão de sindicância para apurar o caso. Essa comissão terá 30 dias para finalizar a investigação. Se ficar comprovada a culpa de Cardoso, ele será exonerado do cargo. O próprio delegado ouviu o fiscal na tarde de ontem. Ele teria negado qualquer envolvimento com o caso.
João Gionédis disse ainda que, mesmo que comprovado o crime, trata-se de uma atitude isolada de um funcionário, fato que não pode comprometer a imagem da Receita Estadual. Além disso, ele salientou que nenhum fiscal pode chegar nas empresas para fazer fiscalização sem apresentar a ordem de serviço emitida pela Receita. ''Esse fiscal não tinha a autorização e o empresário poderia ter nos chamado na hora que recebeu a visita. O fiscal seria preso em flagrante'', orientou o delegado.
O fiscal teria argumentado que foi até a marmoraria fazer a fiscalização sem a ordem de serviço porque já estava trabalhando em outra empresa do mesmo ramo e quis ''estender o serviço''. Segundo o delegado, se não ficar comprovado o crime de extorsão, ainda assim Cardoso terá cometido uma irregularidade porque não tem a liberdade para ''estender o serviço''.
O delegado Guaraci Abreu, da Delegacia de Crimes Contra a Administração Pública, encaminhou ontem para perícia as fitas que contêm a conversa entre o empresário e o outro envolvido no crime, identificado como Sandro. Ele explicou que se comprovada a extorsão, o fiscal será enquadrado em crime de concussão extorsão praticada por funcionário público podendo pegar de dois a oito anos de prisão, além de responder administrativamente pela falha cometida.

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