Brasília - O secretário da Receita Federal, Jorge Rachid, admitiu ontem que o governo poderá aproveitar as discussões sobre a tabela do Imposto de Renda no Congresso para fazer modificações no atual cálculo das deduções com saúde, educação e dependentes. Em contrapartida, haveria a correção no limite de isenção para que as mudanças não gerassem ganhos. ''O objetivo é manter a arrecadação atual. Para beneficiar o andar de baixo, temos que tirar do andar de cima'', disse.
Rachid informou que existem vários modelos em estudo. A Folha de S.Paulo apurou, porém, que a mudança preferida até o momento é a que corrige o limite de isenção de R$ 1.058 mensais para R$ 1.164, ou 10% de aumento (o valor exato seria de R$ 1.163,80, mas a Receita costuma arredondá-lo).
O efeito da correção sobre os salários será pequeno no fim do mês. O ganho para quem tem renda tributável acima de R$ 1.164 será de R$ 15,90. Ou seja, o limite de isenção subiria R$ 106, passando dos atuais R$ 1.058 para os R$ 1.164. Como esses R$ 106 deixam de pagar 15%, o ganho é de R$ 15,90. Quem recebe de R$ 1.058 a R$ 1.164 deixará de pagar valores progressivos, até os R$ 15,90.
Segundo o estudo, o desconto no imposto devido em cada despesa dedutível deixaria de ser de 15% ou 27,5% para ser de 20% para todos. Apenas 6,6% dos contribuintes pagam Imposto de Renda no País. Desse total, 58% estão na alíquota de 15% e 42% na de 27,5%.

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