Receio no Brasil é de alta dos juros
O temor dos economistas brasileiros é de que, assustados com o ambiente de incertezas na Argentina, os investidores externos reduzam o fluxo de capital para a América Latina como um todo, incluindo o Brasil. O reflexo mais imediato na economia brasileira é a interrupção da queda dos juros.
O discurso do do candidato governista à presidência argentina, Eduardo Duhalde, sobre uma possível moratória, provocou nervosismo no mercado, ‘‘e daí para um pânico é só um passo’’, diz o ex-ministro da Fazenda Mailson da Nóbrega. ‘‘Todo mundo está percebendo nuvens negras sobre a Argentina, mas elas deveriam ficar mais visíveis lá para a frente’’, afirma.
Mailson lembra que o país tem uma reserva considerável --em torno de US$ 25 bilhões - e conta com alto grau de confiança da população em relação ao sistema cambial. Mas, segundo ele, o regime cambial argentino tornou-se insustentável, principalmente depois da desvalorização do real.
Esse problema de conversibilidade da moeda terá de ser resolvido. O economista-chefe do BBV Bilbao Viscaya, Octávio de Barros, aponta como alternativas a criação de uma moeda única para o Mercosul, ou a dolarização unilateral, a desvalorização do peso ou o aprofundamento de reformas estruturais, entre outras. Ele reconhece, entretanto, que boa parte dessas sugestões são inviáveis no curto prazo.
Odair Abate, economista-chefe do Lloyds Bank, lembra que a economia argentina encontra-se em retração desde o aprofundamento das crises asiática e principalmente russa, mas a situação fica mais complicada às vésperas da eleição presidencial. ‘‘Qualquer declaração neste momento é recebida com cuidado e apreensão’’, constata.
Em sua opinião, é provável que, até outubro, ocorrerão novas declarações populistas que agitarão o mercado. O Brasil, segundo Abate, deve se preparar para o que vem pela frente, após a eleição e, se tiver definido questões fundamentais como reforma tributária e balança cambial, ‘‘poderá resistir melhor ao efeito Argentina.’’ Ele ressalta, entretanto, que o País precisa estar também atento ao risco maior para a economia mundial, que são os indicadores econômicos norte-americanos, que deverão ser divulgados nos próximos dias.

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