Receio é de CPI brecar recuperação
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domingo, 25 de abril de 1999
Agência Estado 
O otimismo que tomou conta do mercado financeiro nas últimas semanas diminuiu um pouco depois da instalação da CPI dos Bancos, mas ainda assim os analistas continuam a apostar na manutenção da trajetória de queda das taxas de juros, no controle do dólar e nas boas perspectivas para as Bolsas. A expectativa do mercado está voltada para o depoimento do ex-presidente do BC Francisco Lopes na comissão, marcado para hoje. Ele terá de explicar, entre outras coisas, a venda de dólares por preços favorecidos para os bancos Marka e FonteCindam.
O diretor-geral da Banque Nationale de Paris (BNP) Asset Management, André Pires, reconhece que a CPI trouxe alguma incerteza ao mercado, provocando a realização de lucros nas Bolsas e uma alta moderada do dólar e das projeções dos contratos futuros de juros.
Mas, se as investigações da comissão não apontarem novos casos suspeitos no sistema financeiro, não há motivos para acreditar em reversão do cenário positivo que se vem desenhando nas últimas semanas.
Pires lembra ainda que, se a CPI é um fator que pode influenciar negativamente o mercado financeiro, há vários outros positivos, como a perda de força da inflação e a emissão do bônus global pela República, no valor de US$ 2 bilhões e pelo prazo de cinco anos, na semana passada. A emissão teve boa aceitação no mercado internacional.
Segundo Pires, a emissão, que foi bem-sucedida, mostra o aumento da confiança do investidor estrangeiro no Brasil. Além disso, o fato de ter havido forte demanda pelos papéis indica que a procura pelo risco Brasil aumentou bastante. Com isso, ele acredita que o País deve continuar a receber dólares.
Por estar otimista e acreditar na trajetória declinante dos juros, Pires entende que o investidor pode destinar parte de seus recursos à renda fixa em aplicações prefixadas. Ainda não é o momento de abandonar os fundos DI, mas já seria interessante deslocar parte do dinheiro para fundos de renda fixa tradicionais ou CDBs, que tendem a se beneficiar da queda das taxas de juros.
Ele também vê como interessante o investimento em ações, que contou com a participação do capital estrangeiro este mês. Pires acredita que esses investidores vão continuar a apostar no mercado brasileiro, conferindo perspectivas alentadoras para as Bolsas no médio prazo.
Pires entende que o dólar deve ficar oscilando entre R$ 1,65 e R$ 1,70. O mais importante, diz, é que a volatilidade do mercado de câmbio diminuiu bastante, o que é positivo para os exportadores, que passam a ter mais segurança para fechar contratos de exportação.


