Receio com Argentina prevalece sobre acordo e dólar sobe 1,02%
O anúncio da queda de US$ 610 milhões, para US$ 17,35 bilhões, nas reservas internacionais argentinas de quinta para sexta-feira passada provocou estresse no mercado brasileiro, ontem, e reviravolta do dólar no encerramento do dia. A moeda norte-americana, que operou em queda até por volta das 15h45, inverteu a mão logo após a divulgação dessa notícia para fechar vendida a R$ 2,4860, em alta de 1,02%. Para os profissionais das mesas de câmbio, a rápida reação do dólar ontem demonstrou que o acordo stand-by de US$ 15 bilhões firmado entre o FMI e o Brasil não eliminou os efeitos do contágio argentino sobre o mercado de câmbio.
O descolamento dos títulos da dívida argentina e da Bolsa de Buenos Aires do comportamento dos ativos no Brasil ontem também causou surpresa. O brady argentino FRB encerrou em alta de 4,28%, a 69,50 centavos de dólar na venda, e o Índice Merval da Bolsa de Buenos Aires, subiu 1,62%. Analistas financeiros argentinos justificaram essa desassociação ao fato de que o mercado do país vizinho já se acostumou e não se assusta mais com recuo das reservas do país. No entanto, os analistas também disseram que a preocupação demonstrada ontem pelos investidores brasileiros pode estar antecipando algum fato novo ainda desconhecido pelo mercado argentino.
Por causa da fuga de cerca de US$ 1 bilhão das reservas argentinas só nos três primeiros dias úteis deste mês, além de cerca de US$ 6 bilhões em julho, um diretor de tesouraria de um banco brasileiro não descarta a possibilidade de o governo argentino anunciar nesses próximos dias medidas para restringir saques nos bancos e, com isso, evitar a sangria das reservas internacionais. Este especialista acredita ainda que pode estar muito perto o momento em que o governo vizinho poderá romper a conversibilidade e, dessa forma, desvalorizar o peso.
No mercado à vista, o dólar comercial oscilou 1,97%, entre a mínima de R$ 2,44 (-0,85%) e a máxima de R$ 2,4880 (+1,10%). O giro financeiro no D+2 pronto somou cerca de US$ 1,016 bilhão, ante US$ 964 milhões registrados anteontem.
No encerramento do pregão, o Índice Bovespa registrava ligeira baixa de 0,07% e a bolsa paulista apresentava volume financeiro de R$ 480 milhões. A Bolsa de Valores acompanhou ontem o comportamento do mercado do câmbio. A entrevista do Malan também não trouxe nada de novo. Praticamente tudo o que foi falado hoje já havia sido antecipado pela imprensa, comentou um operador, explicando por que as reservas argentinas acabaram pesando mais na formação de preços do que os detalhes do acordo com o FMI.
Na BM&F, o contrato de DI futuro para 1º de outubro encerrou o dia com projeção de juros de 21,67% ao ano, pouco mais baixa do que os 21,83% do fechamento de segunda-feira. A projeção de juros do DI setembro subiu ligeiramente, para 20,48%, ante 20,22% da véspera. O DI janeiro encerrou com projeção de juros de 23,62%, um pouco mais alta do que a de 23,49% do fechamento anterior. O DI novembro fechou estável, 22,57%, ante 22,56% de anteontem. O DI a termo de um ano fechou o dia com projeção de 24,15%, ante 24,20% do encerramento de anteontem.
(Marisa Castellani, Mário Rocha e Silvana Rocha, da AE)





