Rebeldes tutsis declaram trégua no leste do Zaire
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terça-feira, 05 de novembro de 1996
Agência Estado 
KINSHASA - Os rebeldes tutsis da tribo banyamulenge, que vêm atacando há vários dias regiões do leste de Zaire, onde há vários acampamentos de refugiados hutus ruandeses e burundineses, proclamaram ontem uma trégua unilateral de três semanas, para permitir a ajuda à população - estimada em mais de 1 milhão de pessoas - dos campos da região.
O líder dos rebeldes, Laurent Desiré Kabila, exigiu, porém, como condição para a trégua, que as Forças Armadas do Zaire também anunciem adesão. Se não houver acordo sobre essa decisão, os combates serão retomados imediatamente, advertiu.
O governo zairense acusa Ruanda de estar armando e dando apoio militar aos banyamulenges, que controlam algumas cidades importantes na região do Lago Kivu, onde se localizam os acampamentos de hutus que fugiram do território ruandês após a guerra civil de 1994 - que deixou o saldo de mais de 1 milhão de mortos, segundo organismos humanitários. Milicianos da etnia majoritária hutu foram acusados dos mais sangrentos massacres cometidos durante a guerra e, após o fim dela, temem a vingança dos tutsis.
Fuga Aparentemente, os ataques dos rebeldes visam a forçar a volta dos hutus para Ruanda. Apavorados, os refugiados se deslocam sem rumo às margens do Lago Kivu. Funcionários de agências humanitárias, que foram obrigados a deixar a região por falta de segurança, alertam para a rápida deterioração das condições sanitárias e para o risco de epidemias. Diplomatas ocidentais tentam negociar a abertura de um corredor humanitário.
O presidente e homem forte do Zaire, Mobutu Sese Seko, que sofre de câncer e se recuperava de uma cirurgia na Suíça, partiu para Nice, na França. Em Kigali, uma missão da Organização para a Unidade Africana (OUA) abriu conversações para tentar garantir o cessar-fogo na região e repatriar os 1,1 milhão de refugiados ruandeses. Apesar disso, Kinshasa continua se recusando a participar de uma conferência sobre a crise centro-africana, que começa hoje em Nairóbi.


