Curitiba - A ocorrência da doença ''scrapie'' em uma fêmea de seis anos de idade da raça Hampshire Down ameaça todo o rebanho de ovinos da fazenda experimental Gralha Azul da Pontifícia Universidade Católica (PUC), em Fazenda Rio Grande, Região Metropolitana de Curitiba. A propriedade abriga 123 animais. ''A universidade tem consciência que o Ministério da Agricultura pode determinar o sacrifício de todo o rebanho a qualquer momento'', admitiu o professor Felipe Pohl, de Semiologia Clínica e Cirurgia de Animais de Produção da PUC.
Se o Ministério da Agricultura mantiver o princípio de sacrifício geral de todas as ramificações de animais, quando se manifesta uma doença considerada exótica, o rebanho da PUC e de outras propriedades que tiveram descendentes e ascendentes da ovelha contaminada será condenado, admitiu uma fonte, em Brasília. O assunto será definido nesta segunda-feira, em Brasília pelo diretor do Departamento de Defesa Animal do Ministério da Agricultura, João Crisóstomo Mauad Cavallero.
A Secretaria da Agricultura e do Abastecimento já está fazendo o rastreamento da linhagem da ovelha contaminada. Se o Ministério da Agricultura decidir pelo sacrifício do rebanho, a PUC vai acatar a decisão. Mas se houver uma possibilidade de discussão acadêmica sobre o assunto, ''a universidade gostaria de ajudar a combater a doença, sem ter que condenar todos os animais'', disse o professor.
Pohl disse que outros países convivem com a doença, que tem cerca de 250 anos. Segundo a Organização Internacional de Epizootias (OIE), somente a Austrália e Nova Zelândia, são consideradas áreas sem a ocorrência da ''scrapie''. O professor salientou que a doença não tem propagação tão fácil. A contaminação acontece quando o animal lambe restos de parto de outras ovelhas. Ainda assim, o animal precisa apresentar predisposição genética para desenvolver a doença.
Segundo Pohl, assim que os professores da PUC notaram que a ovelha estava apresentando sintomas da doença, o caso foi comunicado aos órgãos oficiais.

mockup