Rebanho cresce com uso de tecnologia
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 20 de julho de 2004
Carolina Avansini<br>Reportagem Local 
Pesquisa realizada pela Scot Consultoria, de Bebedouro (SP), levantou que nos últimos dois anos, 4,9 milhões de hectares da pecuária brasileira passaram para a agricultura. Apesar da redução das áreas de pastagens, o rebanho nacional cresceu. Apenas em 2003, o número de animais aumentou 4,6% com relação a 2002. Esse cenário decorre do maior investimento em tecnologia.
''Apenas com o cercamento da área, o pecuarista aumenta a lotação do pasto em 20%'', afirmou o engenheiro agrônomo Maurício Palma Nogueira, diretor da Scot. Suplementação mineral, adequação dos programas sanitários, melhoramento do gado e investimento em instalações e infra-estrutra são iniciativas que rendem bons resultados. A dificuldade dos criadores é avançar nos programas de adubação e de aumento significativo das lotações de pastagens.
O estudo comparou as atividades simuladas em duas propriedades de produção pecuária com 2,2 mil ha. Uma delas, de baixa tecnologia, tinha lotação de 0,7 unidade animal por ha. A fazenda de alta tecnologia utilizava lotação de 3 animais por ha.
Quando a análise de custo é feita por animal, o valor gasto para criar cada boi aumenta 13% na propriedade de alta tecnologia. O custo passa de R$ 204,80 para R$ 231,73. Se a comparação toma por base apenas o custeio, o aumento é ainda maior: 60%. ''Esses números costumam assustar o pecuarista'', afirmou.
Ao analisar os resultados econômicos, porém, a situação se inverte. Enquanto a empresa de baixa tecnologia vende, anualmente, 677 animais, a propriedade tecnificada comercializa 2.967 bois. ''É de se esperar que o aumento da receita compense os custos operacionais maiores'', comentou o analista, que calculou um lucro 219% superior na fazenda de alta tecnologia.
Para Maurício, o resultado é compensador quando o pecuarista utiliza as tecnologias disponíveis de maneira planejada. ''É preciso ter acompanhamento técnico para não fazer loucuras'', considerou.
Em Cascavel, o pecuarista Valdir Lazarini apostou em tecnologia para melhorar a renda da propriedade. Com ocupação de 3,5 cabeças por ha, ele utiliza cruzamento industrial, confinamento, divisão de pastagens e adubação pesada para aumentar o rendimento. O custo, em comparação com a pecuária convencional, é 80% maior. ''A vantagem é que os animais são vendidos com menos tempo. A rentabilidade cresce por causa do giro rápido'', disse.


