Nova York - A decisão da agência Standard & Poor's (S&P) de rebaixar na sexta-feira a nota dos títulos americanos eleva os temores de que os EUA mergulhem em uma nova dose de recessão, em um momento em que a retomada da maior economia global já dá claros sinais de enfraquecimento.
''A consequência da decisão da S&P é que ela vai forçar o sistema político a gastar menos e antecipar a austeridade fiscal. A recessão vai se tornar mais provável e mais severa'', disse o economista Nouriel Roubini em entrevista à TV americana.
Os cortes de gastos acertados entre governo e oposição já devem comer parte da expansão do PIB nos próximos três anos, segundo previsão de agência independente do Congresso. A antecipação ou o aumento dessas economias deve ter efeitos ainda mais drásticos.
Além disso, os investidores podem a partir de amanhã continuar a fugir das ações (a Bolsa de Nova York acabou de ter a pior semana desde outubro de 2008), derrubando ainda mais os papéis.
Consequentemente, o principal motor da economia - são responsáveis por cerca de 70% cdo PIB. Porém, antes mesmo antes de a S&P rebaixar a confiabilidade de os EUA pagarem suas dívidas, as preocupações sobre a recuperação da economia americana se acumulavam.
Roubini, que ganhou fama mundial ao ser um dos primeiros a prever a crise de 2008, é um dos que vêm dizendo que é de mais de 50% a chance de os EUA retornarem ao ciclo recessivo do qual saíram há pouco.
Os números mais recentes da economia americana mostram que a recuperação perdeu força, e o FMI disse recentemente que a retomada atual é uma das mais fracas entre as recessões dos últimos 60 anos. A recuperação do setor de construção, onde a crise teve início com a formação de uma bolha de preços, é vital para que a economia se acelere.
No entanto, os preços das casas estão quase 50% abaixo do seu pico e não reagem, e a construção de residências está nos menores patamares históricos. Mas não é só isso: o desemprego está em 9,1% (e só recuou no mês passado porque muitas pessoas desistiram de procurar emprego e foram retiradas das estatísticas), os consumidores cortaram os gastos pela primeira vez em dois anos e a indústria se aproxima da retração.
O PIB terminou o primeiro semestre com alta de 0,9%, em uma economia que precisa avançar ao menos 3% para recuperar parte das perdas dos últimos anos. Para piorar, não surgem alternativas no horizonte. O acordo para elevar o teto da dívida faz com que o governo fique de mãos amarradas.
Para Desmond Lachman, professor de economia da Universidade Georgetown, é possível que o Fed opte por uma terceira rodada de compras do título monetário, mas há dúvidas se até as duas primeiras tiveram efeitos benéficos para a economia.

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