Rebaixamento de nota do Brasil é recado do mercado
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sábado, 29 de março de 2014
Fábio Galiotto<BR>Reportagem Local 
O rebaixamento da nota do Brasil feito pela agência de análise de risco Standart & Poors (S&P), na prática, funciona como um recado para o governo enxugar contas e ajustar políticas econômicas que possam interferir no livre mercado. Porém, a percepção é que os reflexos da medida sobre o País foram mínimos a partir do anúncio, na última segunda-feira, porque o cenário brasileiro já é bem conhecido pelos agentes econômicos e o impacto se deu ao longo do tempo, a conta-gotas.
A nota do Brasil passou de BBB para BBB-, o que não fez com que perdesse a classificação de que é atrativo para investimentos, segundo a S&P. A diferença é que se encontra no patamar mais baixo possível dentro da escala. Assim, o governo federal fica pressionado a modificar a política macroeconômica para dar mais segurança a investidores e não correr o risco de espantá-los após novo rebaixamento.
Para o diretor presidente do Instituto de Pesquisa de Mercado Fractal, economista Celso Grisi, o cenário que definiu a mudança na avaliação é de um governo com uma política fiscal pouco responsável. O aumento de gastos foi bastante superior à arrecadação e levou à redução abrupta do superavit primário, saldo das contas da União que define a capacidade do País de pagar juros de dívidas públicas.
Ele diz que, mesmo com maquiagens contábeis, não foi possível esconder que o superavit é menor do que deveria. "Somam-se a isso a falta de crescimento econômico dos últimos anos e a pressão inflacionária, o que mostra para o investidor que o País não tem mais tanto potencial no mercado interno", afirma Grisi.
A economista Natália Cotarelli, do Banco Indusval & Partners (BI&P), afirma que a redução nos investimentos tem sido gradativa. "Não muda nada a partir de agora, porque já era algo esperado", diz. A diferença, explica Grisi, é que o País terá de oferecer maior retorno caso lance títulos para captação de recursos no exterior, para justificar a aplicação de maior risco. O que, independentemente da nota da agência, tem ocorrido com o aumento da desconfiança.
EMPRESAS
Além de Petrobras, Eletrobras e Samarco, 13 companhias ligadas ao setor financeiro tiveram avaliações rebaixadas também durante a semana. Analista da Guide Investimentos, Luis Gustavo Pereira afirma que é possível que essas empresas sofram com algum impacto, já que também precisarão dar mais retorno para captar investimentos. No entanto, ele não crê em reflexo significativo. "Nas empresas que não fazem parte dessa lista não vai fazer diferença."
Pelo contrário, o índice da Bolsa de Valores de São Paulo (Ibovespa) teve alta de 5% durante a semana e o dólar se desvalorizou frente o real, com o valor para venda caindo para R$ 2,26 na última sexta-feira. O valor da moeda norte-americana é o menor desde novembro de 2013 e o da bolsa, o maior desde 15 de janeiro. "Os ativos estão muito baratos, com ações com preço abaixo do valor patrimonial, então o investidor tem comparecido ao País para aproveitar esses preços baixos", diz Grisi.


