Curitiba - As avaliações e rebaixamentos dos ratings das Companhia Paranaense de Energia (Copel) e Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar), anunciadas pela Agência Moody's, levam em conta apenas a situação geral da economia brasileira e não refletem a real situação das empresas. A opinião é de analistas ouvidos pela Folha.
Para a Moody's, a Sanepar está bem posicionada no contexto brasileiro, mas devido à em crise a empresa é afetada. ''Ao reavaliarmos nossa abordagem levamos em conta o impacto que a volatilidade do mercado financeiro brasileiro possa ter sobre as posições financeira e operacional dessas empresas de saneamento básico, bem como a natureza da base de clientes'', diz a avaliação publicada pela agência. A Moody's informa também que o rebaixamento leva em conta a situação financeira do governo do Paraná, principal acionário da Sanepar. A dívida pública paranaense, segundo dados oficiais, é de R$ 9 bilhões.
A assessoria de imprensa da Sanepar informou que apenas 10% de sua dívida é em moeda estrangeira, além de ser a longo prazo, e por isso a alta do dólar não cria grandes dificuldades para o pagamento. Os débitos estrangeiros da empresa eram equivalentes a R$ 87 milhões em 31 de dezembro de 2001. Para a Sanepar, a Moody's não conhece bem a real situação da companhia. ''A nota foi rebaixada mais por causa do risco-Brasil do que por sua atuação, mas mesmo assim acho exagero da agência'', afirmou o analista de investimentos Marcelo Martenetz.
Já o rebaixamento dos ratings da Copel ele considerou correto. ''O principal problema é a importação de energia, que é comprada a US$ 30,00 o Megawatt, mas o teto para repasse ao consumidor é de apenas R$ 84,00. Portanto, a Copel só tem lucro quando o dólar está até R$ 2,60. Acima disso, há descasamento'', avaliou. Para ele, a Copel está em uma situação mais delicada, embora tenha capacidade para honrar todos os compromissos. A Copel não comentou a avaliação da Moody's.
Segundo a Moody's, os vencimentos da Copel para 2002 são de R$ 112 milhões. A dívida total da empresa é de R$ 1,95 bilhões, sendo que 46% são em moeda estrangeira, o que motivou o rebaixamento. A disponibilidade de caixa da empresa em 31 de Março de 2002 era de R$ 216 milhões, segundo a Moody's.
O vice-presidente técnico do Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças no Paraná (Ibef), Claudio Enrique Lubascher, critica os critérios de avaliação da Moody's. Segundo ele, a agência não pode levar em conta a alta do dólar para rebaixar os ratings das empresas brasileiras. ''As empresas de porte, tanto as públicas como as privadas, fazem operações de seguro cambial, normalmente o hedge ou swap, para se proteger dessas variações'', observou.

mockup