Rio - O dólar cotado a R$ 3,00 não terá qualquer impacto sobre as vendas externas do País neste primeiro semestre. A avaliação é do diretor da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro. ''Já está tudo praticamente definido, só resta às empresas embarcar as mercadorias'', disse. No entanto, caso a moeda norte-americana permaneça com a cotação nesse nível, haverá perda de rentabilidade para as pequenas e médias empresas exportadoras.
O economista explicou que os exportadores de menor porte têm custos maiores, já que compram matéria-prima em menor quantidade, com prazos de pagamento reduzidos. Além disso, têm mais dificuldade de acesso a crédito e menor produtividade.
A expectativa de Castro é de que as empresas desse porte que já têm contratos firmados vão honrá-los e a maior parte vai optar por continuar exportando, mesmo sacrificando parte da margem de lucro. Segundo ele, as empresas que utilizam insumos nacionais não dolarizados poderão ''suportar melhor'' uma eventual cotação do dólar abaixo de R$ 3,00.
Questionado se a redução da margem pode levar as empresas a desistirem do mercado externo, o economista disse que ''se o sacrifício da margem for muito grande elas poderão até mudar de idéia, mas o mercado interno está muito retraído e pode não haver alternativa''.
Ele avalia que, no segundo semestre, as empresas vão analisar em detalhes o cenário interno e as expectativas para o câmbio antes de fechar novos contratos externos. No caso das grandes empresas, ele acredita que elas ''têm margem maior de manobra e podem manter a rentabilidade com o dólar a R$ 3,00'', mas ressaltou que as consequências do câmbio vão variar de empresa para empresa.
O diretor da AEB disse que a instituição não mudará a sua projeção de crescimento de 9,4% das exportações neste ano ante o ano passado. ''Só uma retração da economia mundial poderá mudar as projeções. O dólar tem peso importante, mas é apenas um dos componentes das exportações'', disse.

mockup